
PIAUÍ, 23 de abril de 2026 — O juiz Valdemir Ferreira Santos, em Teresina, decidiu anular uma investigação ligada à Operação Carbono Oculto 86. A apuração tratava da possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.
A decisão ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, divulgar um novo despacho sobre o uso de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O ministro Alexandre de Moraes esclareceu que as novas regras para utilização de dados de inteligência financeira valem apenas para casos futuros. Essa informação consta do despacho do magistrado. Por isso, o debate sobre o uso desses relatórios em investigações criminais foi reaceso.
A Operação Carbono Oculto 86 foi deflagrada em agosto do ano passado. A Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo realizaram a operação. No Piauí, as investigações se concentraram em uma rede de postos de combustíveis. Empresários suspeitos de ligação com o PCC foram alvo das apurações.
O magistrado Valdemir Ferreira Santos considerou que houve uso inadequado de informações do Coaf. Ele acatou os argumentos das defesas. Os relatórios financeiros teriam sido empregados fora dos parâmetros definidos pelo Supremo. A decisão corre sob sigilo. O portal UOL trouxe a informação à tona.
A interpretação da liminar passou a embasar pedidos semelhantes em diferentes regiões do país. Defesas de investigados em casos de crimes financeiros recorrem a esse entendimento. O mesmo ocorre em apurações sobre atuação de grupos criminosos. O objetivo é invalidar provas e interromper as investigações.
O próprio ministro Alexandre de Moraes esclareceu, no novo despacho, que a decisão não alcança investigações em andamento. Ainda assim, o caso do Piauí mostra como leituras distintas da mesma medida produzem efeitos imediatos







