
BRASÍLIA, 24 de setembro de 2026 — Os advogados Camilla e Gabriel Ramos, respectivamente esposa e filho do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), levaram a uma audiência com o advogado geral da União, Jorge Messias, uma proposta de “acordo” que poderia salvar o Banco Master de Daniel Vorcaro.
A proposta, segundo a AGU, foi vetada de pronto por Messias, que teria informado os advogados a total ausência de interesse da União em discutir um acordo referente aos supostos prejuízos causados ao setor sucroalcooleiro pelo tabelamento de preços do extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) nas décadas de 1980 e 1990.
Nesta quarta (23/9), Messias comemorou a decisão do corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, que cancelou de R$ 4,7 bilhões em precatórios do setor e mandou devolver o dinheiro à Conta Única do Tesouro Nacional. Ele chamou os precatórios de “fraudulentos”.
O encontro entre os advogados do Master e Messias, solicitado com antecedência, foi marcado para 8 de setembro de 2025, quando o Master já estava com a corda no pescoço. Naquele exato dia, o presidente do BRB disse a um interlocutor que o banco de Vorcaro “poderia quebrar a qualquer momento”.
Contratado pelo Master no final de 2024 para atuar em 12 casos que concentravam R$ 8,5 bilhões de precatórios do setor sucroalcooleiro comprados pelo banco, como revelou o Metrópoles na coluna Andreza Matais, o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos (QVQR) procurou a AGU pedindo uma audiência em meados de agosto de 2025.
No e-mail, Gabriel explicou que o tema do encontro seria “a possibilidade de realizarmos acordo, em nome de nosso cliente, em ações indenizatórias ajuizadas contra a União Federal por usinas do setor sucroalcooleiro, que se encontram em fase de Cumprimento de Sentença“. O cliente era o Master.
O banco, naquele momento, vivia intensa crise de liquidez e tinha em mãos precatórios com valor de face de pelo menos R$ 8,5 bilhões, sem nenhuma expectativa de pagamento no curto prazo.
Isso porque, em 2020, o STF acatou manifestação da União e decidiu que as usinas precisam comprovar o efetivo prejuízo econômico por meio de perícia contábil individualizada e balanços/demonstrações contábeis da época, algo complexo de ser feito mais de 30 anos depois.
Para a AGU, ainda existe relevante controvérsia judicial sobre a efetiva comprovação dos prejuízos alegados pelas usinas e, por isso, não haveria por que discutir qualquer tipo de acordo. Além disso, em diversos processos, a União tem contestado a habilitação do Master como parte, sustentando que o banco não possui legitimidade para atuar no polo ativo.
Até o final de 2024, o Master possuía precatórios de pelo menos 12 usinas distintas. O usual era que os créditos fossem comprados por um fundo, passassem pela Entrepay – a empresa que Vorcaro usou para pagar os valores pedidos por Flávio Bolsonaro (PL) – por pelo menos mais um fundo, e enfim chegassem ao balanço do banco.
Responsável por procurar a AGU, Camilla Ramos era tratada por assessores de Daniel Vorcaro como parte da “turma do KN”. Como revelou o Metrópoles, na coluna Tácio Lorran, Vorcaro reservou uma mansão no Rio de Janeiro para as famílias do desembargador e do ministro Kássio Nunes Marques passarem o carnaval.
Mensagens enviadas a Vorcaro por Leo Serrano, que organizava viagens, festas e hospedagens para o banqueiro, citam que as tratativas aconteciam diretamente com o desembargador Newton Ramos, que foi juiz auxiliar de Kassio no TRF-1.







