
BRASÍLIA, 28 de maio de 2026 — Na votação da PEC que acaba com a escala 6×1, aconteceu uma disputa política nos bastidores da Câmara dos Deputados.
O texto principal da proposta prevê diminuir aos poucos a jornada de trabalho para 40 horas semanais e acabar com a escala 6×1. A mudança seria feita de forma gradual, para dar tempo de empresas e setores econômicos se adaptarem.
Mas a oposição, liderada pelo PL, tentou mudar isso. O deputado Sóstenes Cavalcante apresentou uma proposta para que a nova escala 4×3 começasse imediatamente. Ou seja: quatro dias de trabalho e três de folga, sem tempo de transição.
A ideia colocava pressão sobre a esquerda e os deputados do governo. Isso porque, se votassem contra a proposta, poderiam parecer contra uma regra mais vantajosa para os trabalhadores. Por outro lado, se apoiassem, poderiam ser acusados de aprovar algo considerado difícil de aplicar economicamente.
Para evitar essa situação, a base do governo fez uma manobra regimental. Os governistas apresentaram uma nova versão do texto praticamente igual à original. As mudanças foram apenas de palavras. Por exemplo, trocaram “60 dias” por “dois meses” e “12 meses” por “um ano”.
Mesmo sem mudar o conteúdo principal da PEC, essa troca teve um efeito importante: as propostas separadas da oposição e do Psol deixaram de poder ser votadas.
Na prática, isso impediu que a proposta da escala 4×3 fosse analisada separadamente pela comissão sem precisar rejeitá-la explicitamente.







