
BRASÍLIA, 09 de outubro de 2026 — O governo Lula (PT) voltou a colocar em discussão a criação de mais uma empresa pública para atuar em um setor estratégico da economia. Desta vez, a proposta envolve o mercado de distribuição de combustíveis.
Em abril, o governo recuou da ideia de criar outra estatal, a Empresa Brasileira de Mineração de Terras Raras (Terrabras), após resistência de alas do próprio Executivo. A avaliação foi de que insistir na empresa poderia comprometer a aprovação de um marco legal para terras raras e minerais estratégicos.
Em vez disso, o Planalto passou a defender a estruturação de um conselho ligado à Presidência da República, que poderá intervir em operações de empresas que atuem no setor.
No último dia 30, Lula afirmou que, se reeleito, a intenção de ter uma estatal para o segmento de distribuição de combustíveis é aumentar a capacidade do governo de influenciar os preços de gasolina e diesel.
“Eu vou comprar uma distribuidora. Eu vou comprar outra vez”, disse, em entrevista no Palácio do Planalto. “Nós precisamos que as empresas que distribuem baixem os preços.”
Por “outra vez”, Lula refere-se a um retorno ao mercado de distribuição de combustíveis, no qual a União participou diretamente até 2021. A proposta do petista representa uma mudança de rumo em relação à estratégia adotada pelos governos que o antecederam.
A antiga BR Distribuidora, que era subsidiária da Petrobras na distribuição e comercialização de combustíveis, deixou de ser controlada pela estatal em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Em 2021, a Petrobras vendeu os 37,5% que ainda detinha na companhia, em uma oferta de ações que movimentou R$ 11,36 bilhões.
A empresa passou a se chamar Vibra Energia e hoje é uma companhia privada de capital aberto, com escala muito maior do que a antiga BR que a Petrobras deixou para trás.
No quarto trimestre de 2025, a companhia vendeu 9,5 milhões de metros cúbicos de combustíveis, aumento de 5,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, e chegou a 22% de participação de mercado, segundo seu balanço financeiro. O lucro líquido no trimestre foi de R$ 679 milhões.
Na Bolsa, a Vibra tem valor de mercado de aproximadamente R$ 45 bilhões (dados do fechamento de 7 de outubro).










