CONTRASTE GRITANTE

Lula deu 22 entrevistas e se comunicou por cartas na prisão

Andre Reis
Compartilhe
Lula preso
Lula deu entrevistas e escreveu cartas na prisão. Ele manteve atividades políticas entre 2018-2019. Caso reacende debate sobre restrições impostas a Bolsonaro.

BRASIL, 15 de julho de 2026  O ex-presidente Lula ficou preso em Curitiba de 7 de abril de 2018 a 8 de novembro de 2019. Nesse período, ele manteve intensa atividade política. O petista divulgou cartas de cunho eleitoral e concedeu 22 entrevistas. Além disso, recebeu mais de 500 visitas na Superintendência da Polícia Federal.

Em 15 de agosto de 2018, já preso há quatro meses, o PT registrou a candidatura de Lula à Presidência no Tribunal Superior Eleitoral. Fernando Haddad era o vice na chapa. No mesmo dia, Lula divulgou uma carta aos eleitores. Ele reafirmou que permaneceria candidato e pediu que apoiadores fizessem campanha por ele.

“Enquanto eu estiver preso, cada um de vocês será a minha perna e a minha voz”, escreveu.

Antes disso, em maio de 2018, Lula já havia enviado outra carta à presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. No documento, ele rejeitou qualquer plano B para substituí-lo na disputa. “Admitir um plano B para o PT seria assumir um crime que não cometi”, disse.

O petista também comentava partidas de futebol. Em junho de 2018, o jornalista Zé Trajano leu um texto de Lula sobre a Copa do Mundo na Rússia.

Posteriormente, a Justiça barrou a candidatura de Lula. Então, Fernando Haddad foi o candidato do PT. Ele perdeu a eleição para Jair Bolsonaro no segundo turno.

O caso voltou ao debate nesta segunda-feira, 13, depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspender as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai. O ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.

Moraes alegou que a divulgação de uma carta de Bolsonaro violou medidas cautelares. O ministro também apontou possível propaganda eleitoral antecipada, já que Flávio é pré-candidato à Presidência. Por isso, as visitas foram suspensas por 90 dias.

O senador Sergio Moro (PL-PR) criticou a decisão. Ele lembrou que Lula recebeu 572 visitas na prisão em 2018, incluindo 21 de Fernando Haddad. “Nunca cogitei cercear o direito de visita ou de correspondência de Lula”, afirmou Moro.

A constitucionalista Vera Chemim também defendeu o direito de correspondência dos presos. Ela disse que a decisão afronta a Constituição e a Lei de Execução Penal.

Compartilhe
0 0 votos
Classificação da notícias
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Gostaríamos de usar cookies para melhorar sua experiência.

Visite nossa página de consentimento de cookies para gerenciar suas preferências.

Conheça nossa política de privacidade.

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x