
BRASIL, 15 de julho de 2026 — O ex-presidente Lula ficou preso em Curitiba de 7 de abril de 2018 a 8 de novembro de 2019. Nesse período, ele manteve intensa atividade política. O petista divulgou cartas de cunho eleitoral e concedeu 22 entrevistas. Além disso, recebeu mais de 500 visitas na Superintendência da Polícia Federal.
Em 15 de agosto de 2018, já preso há quatro meses, o PT registrou a candidatura de Lula à Presidência no Tribunal Superior Eleitoral. Fernando Haddad era o vice na chapa. No mesmo dia, Lula divulgou uma carta aos eleitores. Ele reafirmou que permaneceria candidato e pediu que apoiadores fizessem campanha por ele.
“Enquanto eu estiver preso, cada um de vocês será a minha perna e a minha voz”, escreveu.
Antes disso, em maio de 2018, Lula já havia enviado outra carta à presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. No documento, ele rejeitou qualquer plano B para substituí-lo na disputa. “Admitir um plano B para o PT seria assumir um crime que não cometi”, disse.
O petista também comentava partidas de futebol. Em junho de 2018, o jornalista Zé Trajano leu um texto de Lula sobre a Copa do Mundo na Rússia.
Posteriormente, a Justiça barrou a candidatura de Lula. Então, Fernando Haddad foi o candidato do PT. Ele perdeu a eleição para Jair Bolsonaro no segundo turno.
O caso voltou ao debate nesta segunda-feira, 13, depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspender as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai. O ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.
Moraes alegou que a divulgação de uma carta de Bolsonaro violou medidas cautelares. O ministro também apontou possível propaganda eleitoral antecipada, já que Flávio é pré-candidato à Presidência. Por isso, as visitas foram suspensas por 90 dias.
O senador Sergio Moro (PL-PR) criticou a decisão. Ele lembrou que Lula recebeu 572 visitas na prisão em 2018, incluindo 21 de Fernando Haddad. “Nunca cogitei cercear o direito de visita ou de correspondência de Lula”, afirmou Moro.
A constitucionalista Vera Chemim também defendeu o direito de correspondência dos presos. Ela disse que a decisão afronta a Constituição e a Lei de Execução Penal.







