
BRASÍLIA, 14 de outubro de 2026 — Com o pacote de benesses anunciadas para os microempreendedores individuais (MEI) nesta quarta (14), o presidente Lula amplia a lista de medidas populares lançadas às vésperas das eleições presidenciais.
Desde 3 de setembro, quando o presidente anunciou que não havia mais fila para atendimento no INSS, foram 10 iniciativas com cunho eleitoral, uma média de uma medida a cada quatro dias. Até o primeiro turno, foram oito em 31 dias, reduzindo a média para baixo de 4 dias.
Depois da primeira fase eleitoral deste ano, quando Lula ficou atrás de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto, o petista reforçou a aposta, com a forte ampliação dos subsídios para os combustíveis, mercado que é bastante impactado pelo salto da cotação de petróleo internacional devido à guerra no Oriente Médio.
As novas iniciativas aumentaram o gasto mensal com a política em R$ 2,65 bilhões, totalizando R$ 15,3 bilhões por mês.
Em relação às medidas anunciadas nesta terça-feira, a mais significativa é a PixMEI, uma transferência direta de R$ 5 mil para cada empreendedor, que deve custar aos cofres públicos R$ 5 bilhões entre 2027 e 2030, R$ 1,250 bilhão por ano.
Como mostrou O GLOBO, a quantidade, a variedade e o recorte temporal das movimentações, embora repitam expediente empregado por outros ocupantes do Planalto, levam a sequência de anúncios — que vão do fim das bets ao aumento do Bolsa-Família — a um patamar inédito neste século.
VEJA ABAIXO A LISTA DE BONDADES:
Pacote para MEIs
No pacote para os MEIs, o governo incluiu cinco medidas: perdão de R$ 12,6 bilhões em débitos tributários inscritos na dívida ativa da União; prioridade na compra de dívidas de credores privados no Desenrola 3.0; transferência direta de até R$ 5 mil por meio do PixMEI, ao custo de R$ 5 bilhões em quatro anos; apelo para votação em urgência do projeto que amplia o teto de faturamento do MEI para R$ 140 mil e desobrigação desses empreendedores de emitirem nota fiscal para venda a pessoas físicas. No caso do PixMEI, o governo disse que o programa ainda está em fase de desenho. A legislação eleitoral impede a criação do programa neste momento.
Combustíveis
Em meio à continuidade da guerra no Irã, o governo tem mantido e ampliado as políticas de subsídio aos combustíveis para mitigar o impacto sobre os consumidores brasileiros. Em 9 de setembro, o governo já havia majorado os benefícios para gasolina, etanol e diesel. Após um mês, em 9 de outubro, o subsídio cresceu ainda mais. A desoneração da gasolina passou de R$ 0,63 por litro para R$ 0,89 por litro, zerando a cobrança de impostos federais. No caso do etanol, a subvenção passou de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro. Já o diesel ganhou uma nova subvenção só para importadores, de R$ 1,40 por litro. Ainda está em vigor uma subvenção de R$ 2,12.
Desenrola MEI Pequeno Valor e Transação FGTS
Às vésperas do 1º turno, a gestão Lula ainda anunciou um pacotão de renegociação de dívidas, como o MEI Pequeno Valor e a Transação Tributária de empregadores com dívidas no FGTS.
Fim das bets
Lula anunciou nesta sexta-feira a proibição das apostas de quota fixa no Brasil, tanto dos cassinos online quanto dos jogos que tratam de eventos reais, como partidas de futebol. O diagnóstico do presidente é de que as bets ganham dinheiro explorando o vício da população e de que são uma das causas do elevado endividamento das famílias.
Compra de dívidas
Depois de lançar dois programas para facilitar a renegociação das dívidas da população junto a credores, o governo resolveu agora comprar as dívidas mais antigas, da época da pandemia de covid-19, de modo a limpar o nome dos brasileiros. O Tesouro Nacional vai pagar a dívida para os credores, com um desconto elevado, e depois o cliente vai pagar a União em condições mais favoráveis.
Aumento do Bolsa Família
O governo reajustou o Bolsa Família em 15,04%, variação da inflação de março de 2023, quando foi recriado o programa, até agosto. Dessa forma, o benefício mínimo passou de R$ 600 para R$ 691. Os outros auxílios que fazem parte do programa também aumentaram, como o adicional para famílias com crianças de até 6 anos e com mulheres grávidas ou que amamentam.
Isenção da taxa das blusinhas
Também em setembro o governo sancionou a lei que acabou com o imposto de importação sobre remessas internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas. De acordo com pesquisas, a cobrança, criada no governo Lula, era um dos principais fatores por trás da rejeição de Lula ante o eleitorado.
Fila do INSS
Lula anunciou que não há mais fila para o atendimento do INSS. O órgão passou a analisar mais pedidos de benefícios previdenciários e assistenciais por mês do que o número de novos requerimentos apresentados. No entanto, 200 mil requerimentos ainda aguardam uma resposta há mais de 45 dias, critério legal que o INSS adota para considerar que há uma fila por atendimento. O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, disse que são casos mais complexos, principalmente relacionados ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), que estão sendo tratados por grupos de trabalho específicos.
Violência doméstica
No dia 1º de outubro, Lula regulamentou o afastamento remunerado do trabalho por até seis meses de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.










