
BRASÍLIA, 25 de junho de 2026 — O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança do governo no Senado nesta quarta (24). A saída aconteceu depois de uma reunião com o presidente Lula, no Palácio da Alvorada. Em redes sociais, Wagner disse que a decisão foi em comum acordo com o presidente. Ele também destacou a amizade com Lula.
A saída ocorre sob pressão do Planalto e do próprio PT. Aliados do governo avaliavam que a permanência de Wagner no cargo aumentava o desgaste político. Isso porque ele é alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A PF apura fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça ligados ao Banco Master.
Segundo a PF, Wagner atuou no Congresso em favor dos interesses do banco em troca de vantagens indevidas. A defesa dele nega as acusações. Diz que a investigação se baseia em premissas equivocadas. No início da semana, o senador pediu ao STF que anule a decisão que autorizou buscas em seus endereços.
Até a reunião com Lula, Wagner resistia a sair do cargo. Interlocutores do PT diziam que ele via a saída como uma admissão de culpa. Por isso, queria ficar pelo menos até o recesso parlamentar, em 19 de julho. Mas, após o encontro, ele mudou de posição.
Em sua publicação, Jaques afirmou que vai se dedicar à própria defesa e às eleições de 2026. “Minha prioridade absoluta é provar minha inocência”, escreveu. Ele também citou a reeleição de Lula, do governador Jerônimo Rodrigues (BA) e a própria reeleição ao Senado, junto com Rui Costa, também petista.
A definição sobre o substituto na liderança ainda não foi anunciada. Mas, segundo apuração, o senador Camilo Santana (PT-CE) é o principal cotado.
A saída de Wagner agradou a uma ala do STF. Ministros tinham restrições a ele desde 2023, quando o Senado aprovou um projeto que limitava decisões individuais de juízes. Na época, Lula decidiu manter o amigo no cargo, mas agora aceitou a mudança.







