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Garimpo ilegal avança no MA sob omissão do governo Lula

Andre Reis
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garimpo anm
MPF aponta garimpo ilegal de extrema gravidade em Centro Novo e Centro do Guilherme, com riscos ambientais, contaminação por mercúrio e outros crimes.

MARANHÃO, 16 de junho de 2026  O garimpo ilegal avança em municípios do oeste do Maranhão sob a incapacidade dos órgãos de fiscalização de interromper a atividade.

Em documento citado pelo Ministério Público Federal, a Agência Nacional de Mineração (ANM), vinculada ao governo federal, admitiu não possuir condições técnicas e operacionais para cumprir decisões judiciais que determinam a suspensão do garimpo em Centro Novo do Maranhão, apontando falta de apoio das forças de segurança para atuar na região.

O Ministério Público Federal classificou como de extrema gravidade a situação do garimpo ilegal em Centro Novo do Maranhão e Centro do Guilherme. O órgão apontou impactos ambientais, riscos à saúde pública e dificuldades para fiscalizar a atividade.

Segundo o MPF, o garimpo ilegal tem provocado contaminação ambiental e degradação de áreas próximas aos rios da região. Em Centro Novo do Maranhão, pesquisas científicas identificaram indícios de contaminação por mercúrio no Riacho Cachoeira e no Rio Gurupi.

Os estudos foram realizados por pesquisadores ligados ao programa de pós-graduação em Geografia.

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CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL

Segundo denúncias, há registros em Centro Novo que mostram a atividade ocorrendo de forma improvisada e sem equipamentos de segurança. Especialistas alertam para os riscos causados pelo uso de substâncias químicas. Em Centro do Guilherme, moradores também relataram prejuízos ao Rio Maracaçumé, utilizado para abastecimento e pesca.

O procurador da República Juraci Guimarães Júnior afirmou que operações anteriores já identificaram crateras abertas pela mineração irregular, uso de produtos químicos nocivos e trabalhadores concentrados em condições precárias. Segundo ele, decisões recentes da Justiça Federal confirmaram o cenário encontrado pelas investigações.

A pesquisadora Mariana Basso, especialista em toxicologia aquática da Universidade Federal do Maranhão, explicou que a exposição ao mercúrio pode causar intoxicações, irritações e danos neurológicos. Inclusive, o contato prolongado com o metal pode provocar alterações motoras, dificuldades de memória e problemas de aprendizado.

Operações e investigações

Nos últimos anos, operações policiais buscaram combater o garimpo ilegal na região do Gurupi, localizada na divisa entre Maranhão e Pará. Em 2021, a Polícia Federal apreendeu máquinas e cumpriu cinco mandados de prisão. Entre os alvos estava o prefeito de Centro Novo do Maranhão, Júnior Garimpeiro.

Em setembro do ano passado, a Polícia Federal voltou a realizar apreensões na região. Dois meses depois, Júnior Garimpeiro (PL) foi preso em flagrante no Mato Grosso transportando sacos com minério e resíduos de ouro. Atualmente, ele responde a investigações e está em liberdade.

O MPF informou ainda que a permanência do garimpo ilegal favorece a expansão de outros crimes. Segundo o órgão, a região passou a atrair atividades ligadas ao tráfico de drogas, tráfico de pessoas e trabalho escravo, ampliando os desafios para as autoridades responsáveis pela fiscalização.

FALTA DE ESTRUTURA

Em portaria recente, o Ministério Público Federal destacou que a Justiça já determinou a paralisação do garimpo em Centro Novo do Maranhão. No entanto, a Agência Nacional de Mineração alegou impossibilidade técnica e material para executar as medidas devido à falta de apoio ostensivo das forças de segurança.

Em nota, a ANM informou que solicitou apoio da Polícia Federal e da Polícia Militar para operações conjuntas, mas afirmou que ainda não houve mobilização operacional suficiente para garantir segurança às equipes em campo. A agência também avaliou que fiscalizações isoladas não resolvem a dimensão do problema.

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que mantém ações permanentes de combate aos crimes ambientais por meio da Operação Protetor Bioma Amazônia. Já a Prefeitura de Centro Novo declarou que realiza monitoramento ambiental, ações educativas e vistorias em áreas consideradas sensíveis.

A Polícia Federal e a Prefeitura de Centro do Guilherme não se manifestaram.

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