
ANAJATUBA, 08 de maio de 2026 — O CEO da Latam, Jerome Cadier, afirmou nesta quinta (7) que o projeto de extinção da escala 6×1 pode comprometer a manutenção de voos internacionais no Brasil. A declaração ocorreu durante teleconferência de resultados da companhia aérea.
Segundo o executivo, o modelo atual da aviação opera com jornadas específicas, muitas vezes superiores a oito horas diárias. Essa situação ocorre especialmente em rotas internacionais de longa duração.
Cadier afirmou que, se as regras forem aplicadas sem adaptações ao setor, a operação internacional pode se tornar inviável no Brasil. Ele disse acreditar, porém, que o Congresso deverá promover ajustes no texto durante a tramitação. “O Congresso vai entender as especificidades de algumas profissões”, indicou o executivo.
A declaração foi uma resposta ao impacto potencial da proposta sobre pilotos e comissários.
A legislação brasileira já estabelece normas próprias para aeronautas atualmente. As regras variam conforme o tipo de tripulação e o perfil do voo. Elas permitem jornadas que podem ir de nove a 16 horas em determinadas operações internacionais. O modelo também prevê períodos específicos de descanso e revezamento.
AVANÇO DA PROPOSTA
A discussão ganhou força política nos últimos dias. No domingo (3), o governo federal lançou oficialmente uma campanha em defesa do fim da escala 6×1. A medida reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial. Ela também amplia o descanso para dois dias consecutivos, em um modelo mais próximo da escala 5×2.
Segundo o Executivo, cerca de 37 milhões de trabalhadores seriam diretamente beneficiados caso a proposta seja aprovada.
Na Câmara, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) acelerou a tramitação da PEC que trata do tema. Com o calendário eleitoral se aproximando, ele passou a convocar sessões deliberativas ao longo da semana. O objetivo é acelerar os prazos regimentais da comissão especial responsável pela análise do texto.
Enquanto a proposta avança politicamente, setores empresariais tentam abrir negociações para reduzir os impactos econômicos da mudança. Representantes da indústria e de segmentos intensivos em mão de obra defendem medidas compensatórias.
Eles citam, por exemplo, novos programas de desoneração da folha.







