
BRASIL, 18 de julho de 2026 — O Brasil deve exportar cerca de 900 mil toneladas de carne bovina para a China em 2026. Esse volume representa quase a metade das 1,68 milhão de toneladas embarcadas no ano passado. A estimativa é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa.
A redução pode tirar até US$ 4,5 bilhões do faturamento dos frigoríficos brasileiros. “Todos sabem o nosso nível de exposição ao mercado chinês”, afirmou Perosa em coletiva.
Ele reconheceu que o impacto será grande na balança comercial e no volume total de exportações. As vendas para outros mercados podem crescer, mas não compensam a perda da China.
A queda acontece por causa de uma nova medida de salvaguarda da China. O país asiático quer proteger sua produção local de carne bovina.
A regra entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026. Até o limite de 1,106 milhão de toneladas, vale a tarifa normal de 12%. Acima desse teto, porém, incide uma sobretaxa de 55%. Assim, a tributação total chega a 67%.
Em 2025, o Brasil exportou cerca de 1,68 milhão de toneladas para a China. Por isso, o novo limite ficou abaixo do fluxo registrado no ano passado. A medida já pressionou a arroba do boi gordo e aumentou a preocupação de exportadores e pecuaristas.
As indústrias já começaram a sentir os efeitos. Empresas suspenderam, em julho, a produção de cortes destinados à China. Elas consideram que a cota já foi esgotada. Segundo a Abiec, firmas responsáveis por 98% das exportações brasileiras adotaram medidas para reduzir custos.
Algumas empresas suspenderam abates e deram férias coletivas. Outras fizeram demissões e reduziram a jornada de trabalho. O setor projeta uma queda de 10% nos embarques totais em 2026. No ano passado, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas.
“Estamos trabalhando para manter o número, mas as dificuldades estão colocadas”, disse Perosa.







