
BRASIL, 16 de julho de 2026 — Um relatório da organização ambiental Mighty Earth apontou que parte da carne vendida pelo Grupo Mateus tem origem em áreas desmatadas, sem origem definida ou ligadas a casos de trabalho análogo à escravidão. O levantamento analisou produtos comercializados pela rede entre 2023 e 2024 em oito estados das regiões Norte e Nordeste.
Segundo a investigação, cerca de 40% da carne encontrada nas lojas estaria relacionada a essas irregularidades. Além disso, 54% dos produtos analisados seriam provenientes de frigoríficos sem compromissos ambientais.
O relatório também identificou nove frigoríficos que compraram gado de propriedades incluídas na lista suja do trabalho escravo, três deles pertencentes à JBS.
A Mighty Earth informou que identificou ao menos 5.147 hectares desmatados na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal potencialmente ligados à cadeia de fornecimento da empresa entre 2024 e 2025. A organização ressalta, porém, que esse volume representa apenas uma amostra, devido à falta de transparência na rastreabilidade dos fornecedores.
O relatório afirma ainda que o Grupo Mateus não divulga critérios de compra de carne bovina, não publica relatórios de sustentabilidade, não possui sistema público de rastreabilidade e não aderiu ao Protocolo Boi na Linha. Inclusive, cita um histórico de ações judiciais envolvendo violações trabalhistas e direitos humanos.
A ONG informou que procurou a empresa, mas não recebeu resposta. Já a JBS afirmou que as compras identificadas seguiram os critérios previstos no Termo de Ajuste de Conduta (TAC) da Carne.







