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Relatório aponta origem irregular de carne vendida no Mateus

Andre Reis
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mateus
Investigação aponta fornecimento de carne ligada a desmatamento, trabalho análogo à escravidão e falta de rastreabilidade em lojas do Grupo Mateus.

BRASIL, 16 de julho de 2026  Um relatório da organização ambiental Mighty Earth apontou que parte da carne vendida pelo Grupo Mateus tem origem em áreas desmatadas, sem origem definida ou ligadas a casos de trabalho análogo à escravidão. O levantamento analisou produtos comercializados pela rede entre 2023 e 2024 em oito estados das regiões Norte e Nordeste.

Segundo a investigação, cerca de 40% da carne encontrada nas lojas estaria relacionada a essas irregularidades. Além disso, 54% dos produtos analisados seriam provenientes de frigoríficos sem compromissos ambientais.

O relatório também identificou nove frigoríficos que compraram gado de propriedades incluídas na lista suja do trabalho escravo, três deles pertencentes à JBS.

A Mighty Earth informou que identificou ao menos 5.147 hectares desmatados na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal potencialmente ligados à cadeia de fornecimento da empresa entre 2024 e 2025. A organização ressalta, porém, que esse volume representa apenas uma amostra, devido à falta de transparência na rastreabilidade dos fornecedores.

O relatório afirma ainda que o Grupo Mateus não divulga critérios de compra de carne bovina, não publica relatórios de sustentabilidade, não possui sistema público de rastreabilidade e não aderiu ao Protocolo Boi na Linha. Inclusive, cita um histórico de ações judiciais envolvendo violações trabalhistas e direitos humanos.

A ONG informou que procurou a empresa, mas não recebeu resposta. Já a JBS afirmou que as compras identificadas seguiram os critérios previstos no Termo de Ajuste de Conduta (TAC) da Carne.

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