RENDA ENGANOSA

Custo dos itens básicos contribui para dívidas das famílias

Andre Reis
Compartilhe
custo dívidas
Desde 2020, pandemia e altas de preços, endividamento compromete 30% da renda, e alimentos consomem 28,6% do orçamento das famílias de baixa renda.

BRASIL, 11 de maio de 2026  A pandemia, desde 2020, e a sequência de aumentos de preços elevaram o custo dos itens básicos no orçamento das famílias brasileiras. A alimentação acumulou alta de 83,1% no período. Aluguéis subiram 51,1%. Medicamentos e serviços de saúde ficaram 55% mais caros.

No mesmo período, a inflação média da economia foi de 41,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A informação consta de levantamento da Tendências Consultoria.

Com maior parcela da renda destinada a gastos básicos, diminui o espaço para consumo, lazer e poupança. O dado é do jornal O Globo.

A dificuldade de cobrir despesas fixas contribuiu para o avanço do endividamento. Esse endividamento hoje compromete cerca de 30% da renda familiar. O patamar é um recorde. O governo tenta reduzi-lo por meio do programa Novo Desenrola.

Mesmo com aumento da renda média e desemprego baixo, o orçamento permanece pressionado. Além disso, cresceram despesas recorrentes com serviços como transporte por aplicativo, entregas e plataformas de streaming. Essas despesas são frequentemente pagas no cartão de crédito. O rotativo do cartão supera 400% ao ano.

O índice oficial de inflação ainda se baseia na Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017 e 2018. Esse fato pode não refletir plenamente as mudanças recentes no padrão de consumo, acrescenta o economista.

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que a alimentação passou a consumir 28,6% do orçamento das famílias de baixa renda. Em 2020, esse percentual era de 25,8%. No mesmo intervalo, o rendimento médio avançou 12% acima da inflação.

Estudo da Tendências Consultoria mostra que apenas 21% da renda disponível hoje fica para gastos não essenciais. Trata-se do menor nível desde 2011. O peso das dívidas é o principal fator dessa pressão.

A taxa básica de juros está em 14,5% ao ano. Investidores se beneficiam da remuneração elevada. Por outro lado, famílias de menor renda recorrem a modalidades mais caras de crédito. Entre elas estão o rotativo do cartão e o cheque especial.

Levantamento da Abrace Energia mostra que a conta de luz acumulou alta de 401,4% entre 2000 e 2024. Esse percentual fica acima da inflação média de 340% no período. Parte do alívio recente veio da devolução de cerca de R$ 70 bilhões em impostos cobrados indevidamente nas tarifas. Esse mecanismo segurou reajustes a partir de 2020.

Outros serviços básicos também registraram aumentos expressivos nas últimas duas décadas. A água acumulou alta de 621%. O gás subiu mais de 700%.

Compartilhe
0 0 votos
Classificação da notícias
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Gostaríamos de usar cookies para melhorar sua experiência.

Visite nossa página de consentimento de cookies para gerenciar suas preferências.

Conheça nossa política de privacidade.

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x