
BRASIL, 11 de maio de 2026 — A pandemia, desde 2020, e a sequência de aumentos de preços elevaram o custo dos itens básicos no orçamento das famílias brasileiras. A alimentação acumulou alta de 83,1% no período. Aluguéis subiram 51,1%. Medicamentos e serviços de saúde ficaram 55% mais caros.
No mesmo período, a inflação média da economia foi de 41,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A informação consta de levantamento da Tendências Consultoria.
Com maior parcela da renda destinada a gastos básicos, diminui o espaço para consumo, lazer e poupança. O dado é do jornal O Globo.
A dificuldade de cobrir despesas fixas contribuiu para o avanço do endividamento. Esse endividamento hoje compromete cerca de 30% da renda familiar. O patamar é um recorde. O governo tenta reduzi-lo por meio do programa Novo Desenrola.
Mesmo com aumento da renda média e desemprego baixo, o orçamento permanece pressionado. Além disso, cresceram despesas recorrentes com serviços como transporte por aplicativo, entregas e plataformas de streaming. Essas despesas são frequentemente pagas no cartão de crédito. O rotativo do cartão supera 400% ao ano.
O índice oficial de inflação ainda se baseia na Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017 e 2018. Esse fato pode não refletir plenamente as mudanças recentes no padrão de consumo, acrescenta o economista.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que a alimentação passou a consumir 28,6% do orçamento das famílias de baixa renda. Em 2020, esse percentual era de 25,8%. No mesmo intervalo, o rendimento médio avançou 12% acima da inflação.
Estudo da Tendências Consultoria mostra que apenas 21% da renda disponível hoje fica para gastos não essenciais. Trata-se do menor nível desde 2011. O peso das dívidas é o principal fator dessa pressão.
A taxa básica de juros está em 14,5% ao ano. Investidores se beneficiam da remuneração elevada. Por outro lado, famílias de menor renda recorrem a modalidades mais caras de crédito. Entre elas estão o rotativo do cartão e o cheque especial.
Levantamento da Abrace Energia mostra que a conta de luz acumulou alta de 401,4% entre 2000 e 2024. Esse percentual fica acima da inflação média de 340% no período. Parte do alívio recente veio da devolução de cerca de R$ 70 bilhões em impostos cobrados indevidamente nas tarifas. Esse mecanismo segurou reajustes a partir de 2020.
Outros serviços básicos também registraram aumentos expressivos nas últimas duas décadas. A água acumulou alta de 621%. O gás subiu mais de 700%.







