
BRASIL, 11 de agosto de 2026 — O trabalhador brasileiro recebe cerca de R$ 3,6 mil por mês em média. Algumas profissões ligadas ao Estado, porém, têm rendimentos que transformam um único mês de trabalho em vários anos de salário de uma pessoa comum.
É o que mostra um painel da Receita Federal com os valores declarados no Imposto de Renda por ocupação. As primeiras posições do ranking são dominadas por carreiras do aparato estatal. Professores, policiais, enfermeiros e bombeiros não aparecem entre as listadas.
No topo da lista estão os titulares de cartórios. A categoria declarou rendimento médio de R$ 2,8 milhões por ano, o que dá cerca de R$ 230 mil mensais. Em seguida aparecem magistrados, promotores de Justiça, diplomatas e advogados do setor público.
Entre as dez ocupações de maior rendimento, médicos, atletas e pilotos são as poucas que não dependem necessariamente de uma carreira ou concessão estatal.
Os cartórios têm uma particularidade. Seus titulares não são servidores remunerados diretamente pelo governo. Depois de aprovados em concurso, recebem uma delegação do poder público para prestar serviços. Nascimento, casamento, divórcio, compra e venda de imóveis e reconhecimento de firmas passam pelos cartórios e geram receitas.
Os números podem atingir dezenas de milhões mesmo fora das grandes capitais. Em Iturama, município mineiro de 40 mil habitantes, o cartório de registro de imóveis declarou R$ 28 milhões em arrecadação anual. Esse valor é quase três vezes os R$ 10 milhões arrecadados pela prefeitura com IPTU.
No Rio de Janeiro, o 9º Ofício de Registro de Imóveis chegou a R$ 181 milhões em arrecadação. Parte da receita é repassada ao Estado. Outra parte cobre despesas de funcionamento e salários dos funcionários.
No Judiciário, a reportagem chama atenção para os supersalários. O teto constitucional do funcionalismo é a remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal, atualmente em R$ 46 mil. Verbas adicionais, porém, fazem com que os contracheques ultrapassem esse limite.
Os dados mostram que a remuneração média dos magistrados chega a R$ 90 mil mensais quando considerados os adicionais. Em Iturama, cinco juízes tiveram contracheques de R$ 100 mil por mês em 2025.
A distância fica ainda maior quando se observa a outra ponta da tabela. Os prestadores de serviços domésticos aparecem com rendimento médio de R$ 4,2 mil mensais. A diferença para os titulares de cartórios chega a 55 vezes.







