
BRASÍLIA, 15 de junho de 2026 — A Comissão de Disciplina da Câmara dos Deputados acessou os computadores de 89 servidores. A investigação quer descobrir quem vazou informações à imprensa sobre uma viagem cancelada a Lisboa. O vazamento envolvia diárias do diretor-geral da Câmara, Guilherme Brandão.
A Diretoria de Tecnologia extraiu os dados dos computadores. A lista inclui seis assessores do presidente da Câmara, Hugo Motta. Também estão na lista o secretário-geral da Mesa e uma assessora da liderança do PT. A apuração soma 814 páginas com datas, horários e processos acessados.
A suspeita é que alguém passou para a imprensa informações sobre a viagem cancelada de Brandão. Por isso, no dia 29 de maio, oito policiais legislativos recolheram um computador na liderança do Cidadania. O levantamento começou em 21 de maio. Os técnicos buscaram no sistema os termos “viagem”, “Lisboa” e o nome do diretor.
Depois da análise, a Comissão abriu um processo disciplinar contra um servidor. Ele acessou processos de horas extras de Guilherme Brandão. O diretor recebeu R$ 22,9 mil em horas extras em março deste ano. No ano passado, ele e outro diretor receberam R$ 157,8 mil cada.
A Câmara dos Deputados negou irregularidades em nota. A Casa disse que os servidores têm jornada extenuante, acima de 40 horas semanais. Então, as horas extras são legais. A Câmara afirmou ainda que a investigação é uma obrigação da administração e que os assessores de Hugo Motta não são alvos, apenas tiveram os dados consultados.







