
BRASÍLIA, 13 de maio de 2026 — A União Europeia removeu o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e outros produtos de origem animal para o bloco. A decisão foi publicada nesta terça (12), e começa a valer em 3 de setembro. O Brasil pode deixar de faturar quase US$ 2 bilhões por ano com essa mudança.
A União Europeia informou que o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária. O bloco europeu proíbe o uso de determinados medicamentos empregados no tratamento de animais. Essas substâncias também servem como promotores de crescimento na criação de gado e aves.
Entre as substâncias questionadas pela UE estão virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina. Para retornar à lista de exportadores autorizados, o Brasil precisará restringir legalmente o uso desses medicamentos.
Outra alternativa é garantir que a carne exportada ao bloco não contenha as substâncias proibidas.
IMPACTO NAS EXPORTAÇÕES
Em 2025, a União Europeia comprou 368,1 mil toneladas de produtos brasileiros do setor. Essas vendas movimentaram US$ 1,8 bilhão, conforme dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura. A carne bovina respondeu por US$ 1,048 bilhão desse total no ano passado. As vendas de carne de frango somaram US$ 762 milhões no mesmo período.
A Associação Brasileira de Proteína Animal informou que o país atualmente não exporta carne suína para a União Europeia. Esse segmento não sofrerá impacto imediato com a decisão do bloco.
ACORDO
A decisão europeia foi publicada 12 dias após a assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Agricultores e ambientalistas europeus criticaram o acordo, principalmente na França.
O Brasil precisará comprovar o cumprimento integral das exigências sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais.







