
MUNDO, 13 de maio de 2026 — A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal ao bloco. A atualização foi publicada nesta terça (12), e passa a valer em 3 de setembro.
A exclusão ocorreu porque o governo brasileiro não apresentou garantias suficientes sobre a não utilização inadequada de antimicrobianos na pecuária, segundo a Comissão Europeia.
A relação validada pelos países membros da UE define quais nações cumprem as exigências sanitárias europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Na versão divulgada em 2024, o Brasil aparecia como apto a vender carne bovina, frango, cavalo, peixe e mel ao mercado europeu. O país não consta mais na nova lista.
A porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, confirmou a informação à agência Lusa. “O Brasil não está incluído na lista”, afirmou. Segundo ela, a medida significa que o país poderá deixar “de exportar para a UE mercadorias como bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e invólucros”.
Antimicrobianos são substâncias usadas para prevenir ou tratar infecções em animais. Pelas regras europeias, é proibido o uso desses produtos para estimular crescimento ou elevar a produtividade dos rebanhos. O bloco também veta a utilização, em animais, de antimicrobianos reservados ao tratamento de infecções humanas.
As restrições integram a política europeia de combate à resistência bacteriana. O bloco busca reduzir o uso considerado excessivo de antibióticos. A Comissão Europeia informou que o Brasil poderá voltar à lista de países habilitados caso apresente as garantias exigidas.
IMPACTO COMERCIAL PARA O BRASIL
A União Europeia representa um dos principais mercados para a carne brasileira. Dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura, mostram que o bloco é o terceiro maior destino da carne bovina nacional em valor exportado.
O bloco fica atrás apenas de China e Estados Unidos. Considerando todas as carnes, a UE ocupa a segunda posição entre os compradores.
CONTEXTO DO ACORDO MERCOSUL-UE
A decisão ocorre em meio à entrada em vigor provisória do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia. O tratado começou em 1º de maio e ainda está sujeito a análise judicial no continente europeu. O acordo enfrenta resistência de agricultores e ambientalistas europeus, sobretudo na França.
O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, afirmou que a medida busca assegurar que produtos importados sigam os mesmos padrões exigidos dos produtores locais.
“Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos”, declarou.
Ele completou: “A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona.”







