
BRASIL, 08 de junho de 2026 — A União Europeia (UE) retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal. Com isso, o Brasil se tornou o único integrante do Mercosul afetado pelas novas restrições sanitárias.
Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem liberados para vender aos 27 países do bloco europeu. A decisão foi publicada pela Comissão Europeia na última sexta (5).
Essa medida pode prejudicar um dos mercados mais importantes para o agro brasileiro. Em 2025, a UE importou cerca de 368,1 mil toneladas de carnes do Brasil. O negócio movimentou US$ 1,8 bilhão. Os dados são do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A Europa é o segundo maior destino da carne brasileira em receita. Fica atrás apenas da China.
A exclusão chamou a atenção de autoridades e do setor. Isso acontece em um momento de aproximação comercial entre Mercosul e UE. A decisão saiu poucos meses após o início da aplicação provisória do acordo entre os dois blocos.
Mesmo assim, a Comissão Europeia diz que a medida não tem relação com o tratado comercial. Segundo ela, a restrição é apenas sanitária.
Por que só o Brasil ficou de fora? O regulamento europeu diz que o Brasil não apresentou informações suficientes. O país não provou que conseguirá cumprir as regras da UE sobre antimicrobianos na produção animal até setembro de 2026.
A UE proíbe a importação de produtos que usem certos antimicrobianos para crescimento ou produtividade. Bruxelas afirma que o uso inadequado dessas substâncias aumenta a resistência bacteriana. Esse é um risco global à saúde pública.
Por causa disso, o Brasil foi retirado da lista para produtos como bovinos, aves, equídeos, aquicultura, mel e tripas. Se a restrição entrar em vigor, o impacto pode ser grande. O governo brasileiro diz que o Ministério da Agricultura enviou toda a documentação pedida em outubro de 2025.
Segundo essa versão, não houve pedidos de complementação nem alertas sobre informações insuficientes.
Apesar da oficialização, o veto ainda não vale. Ele passa a valer apenas em 3 de setembro de 2026.







