Lula é reeleito e Flávio Bolsonaro promete contestar eleição

BRASIL, 26 de outubro de 2026 — Lula (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), após vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Com 98,76% das urnas apuradas, Lula tinha 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% do senador, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A votação terminaria às 17h, mas o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a extensão até as 19h após reclamação da campanha de Lula sobre dificuldades no transporte de eleitores na Bahia. A decisão, porém, tornou-se pública depois das 17h. Algumas seções já estavam fechadas. O resultado virou o cenário do primeiro turno. Flávio havia terminado na frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. Agora, o petista seguirá no Palácio do Planalto até 2030, em seu quarto mandato presidencial, novamente com Geraldo Alckmin (PSB) como vice. Durante a campanha, o governo aumentou o Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691 e prorrogou o subsídio ao diesel. Além disso, Lula anunciou medidas relacionadas às bets, ao Desenrola e às dívidas de microempreendedores. O texto original classifica essas iniciativas como eleitorais e cita críticas sobre seus custos. Após o resultado, Flávio anunciou que pedirá a anulação da eleição. Ele criticou a extensão da votação, alegou falta de igualdade entre eleitores e afirmou que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre durante a apuração. Mais cedo, o deputado Danilo Forte (PP-CE) também havia mencionado uma possível contestação.
As muitas razões para dizer “não” a Lula neste domingo (25)

BRASIL, 24 de outubro de 2026 — O Brasil se aproxima de um domingo decisivo, o do segundo turno da eleição presidencial, em que o país decidirá se deseja permanecer no atual rumo de destruição e degradação moral, econômica e institucional, ou se deseja reverter o curso. Temos afirmado, neste espaço, as razões pelas quais o voto em Lula e não só ele, mas também os votos em branco e nulo, ou a abstenção, são escolhas que servirão apenas para manter o atual estado de coisas. Mas, nesta reta final, recordamos ao leitor esses motivos, que são também um diagnóstico do quão disfuncional nosso país se tornou nos últimos anos. Temos insistido especialmente na necessidade de recuperar a normalidade democrática e o respeito às liberdades e garantias constitucionais. Até hoje não sabemos quantas pessoas foram caladas pelo STF ao longo dos últimos anos – as estimativas, feitas com base no pouco que foi possível apurar, giram em torno de 3 mil a 4 mil vítimas. Mas a censura é apenas parte desse cenário de desequilíbrio, prepotência e ausência de freios. Recordemo-nos da família Mantovani, perseguida por discutir com Alexandre de Moraes no aeroporto de Roma. Pensemos em Eduardo Tagliaferro, perseguido por denunciar os métodos ilegais de Moraes no TSE e no STF. Pensemos nos condenados do 8 de janeiro, a quem foram negados os direitos mais básicos de defesa. O conjunto de abusos que o STF cometeu nos últimos anos desfigurou nossa democracia ao ponto de sua quase destruição. A hipertrofia do Judiciário levou à destruição ou à fragilização de garantias fundamentais como a liberdade de expressão, o devido processo legal e a imunidade parlamentar. Ainda que o grande condutor desses abusos, Alexandre de Moraes, tenha sido nomeado por Michel Temer, esse argumento já não se sustenta diante da aliança construída entre Lula e o ministro. Tampouco se pode ignorar que muitos abusos foram validados pelo plenário do STF, cuja maioria absoluta foi indicada por Lula e Dilma Rousseff. E, por fim, não satisfeito em contribuir com o abuso por meio de nomeações indignas, o governo Lula aplaudiu grande parte dessas violações de garantias fundamentais, dando causa a várias delas e omitindo-se em sem-número de outras. O próximo presidente da República indicará quatro novos ministros ao STF – o substituto de Luís Roberto Barroso, já aposentado, e de outros três ministros que completam 75 anos entre 2027 e 2030. Deixar essas nomeações na mão de Lula significa bloquear qualquer reconhecimento das barbaridades perpetradas nestes últimos sete anos e meio, condenando o Brasil a décadas de retrocesso democrático. A eleição de Lula para um quarto mandato não levará simplesmente a uma manutenção do quadro de anomalia institucional e desconstrução do país; levará a uma deterioração evidente Na esfera econômica, Lula demonstrou, nos últimos quatro anos, irresponsabilidade completa na administração das contas públicas. São quatro anos de déficit, e um rombo que só se intensifica a cada nova proposta. Neste imediato contexto eleitoral, por exemplo, o petista tratou os brasileiros como venais, capazes de se vender por benesses abusivas e insustentáveis, ou no mínimo como ignorantes, incapazes de avaliar as consequências de tantas “bondades”. Apenas no esforço pela reeleição, Lula já comprometeu R$ 300 bilhões em benefícios que sobrecarregam todo pagador de impostos e desarranjam as contas públicas. Por fim, pelo lado civil e ético-social, durante o governo do PT multiplicaram-se as políticas que favorecem a tensão social, o confronto entre classes ou grupos sociais, o vitimismo e a imposição de uma visão de mundo muito avessa a noções como responsabilidade individual, maturidade, mérito e confiança na iniciativa privada. O cenário é devastador. Muitos podem não saber com clareza qual a fonte da desesperança que tomou conta da quase totalidade dos brasileiros; pois esta é a origem de nosso desalento. E a eleição de Lula para um quarto mandato não levará simplesmente a uma manutenção desse quadro de anomalia institucional e desconstrução do país; levará a uma deterioração evidente, pois o petista não reconhece seus erros, exalta méritos inexistentes, e confessa que intensificará a mesma linha de governo, agravando até mais não poder este cenário trágico. Não há como descartar a possibilidade de que, ciente de que não terá mais como retornar ao Planalto depois de 2030, queira deixar ao país uma marca ainda mais profunda de socialismo ou de esquerda radical. O eleitor pode desconfiar de Flávio Bolsonaro, mas deve também considerar que, no caso de Lula, o dano não é mera hipótese: ele já está feito e pode se intensificar – por exemplo, com uma crise econômica semelhante à de 2015-16 – ou se perpetuar, por exemplo com novos ministros que podem permanecer no Supremo por décadas. O desastre já está instalado e seu agravamento já está comprado, com risco de se tornar irremediável; é urgente impedir que isso aconteça. Os riscos atribuídos pela campanha petista em caso de vitória do candidato do PL não têm sustentação em nada do que ele esteja fazendo ou indicando, tampouco no time que está montando, mas estão baseados apenas em um pretenso histórico familiar, que exige maior reflexão. Não há como colocar na balança esse receio, compará-lo com a permanência do governo atual, e concluir que são equivalentes. O mero fato de se colocar um freio de arrumação para se contrapor ao governo do PT já será benéfico. E, ainda que houvesse qualquer risco para a democracia com a troca de governo (temor que, reforçamos, não se sustenta minimamente), qualquer nova eventual rota de deterioração institucional demoraria muito para ser instalada, dando-nos tempo de reagir. O petismo, aliás, tem se esmerado em retratar todos os seus adversários como “golpistas” e “riscos para a democracia”; se foi assim até mesmo com políticos de centro-esquerda que disputaram o Planalto contra o PT, como José Serra, por que não o seria quando o adversário é de direita? Essa incapacidade de admitir como legítimas visões opostas, alegando que elas não são compatíveis com a democracia e implicitamente admitindo que, no limite, seria lícito desterrar essa outra visão de
Lula diz que vai ‘acabar com a polícia’ durante debate da TV Globo

BRASIL, 24 de outubro de 2026 — O presidente Lula (PT) afirmou que vai “acabar com a polícia” durante o debate contra Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela TV Globo nesta sexta (23). A declaração ocorreu durante uma discussão sobre retomada de territórios e segurança pública, a dois dias do segundo turno da eleição presidencial. Na discussão, Lula relacionou a declaração à Proposta de Emenda à Constituição para a segurança pública defendida por seu governo. Além disso, afirmou que, caso a PEC seja aprovada, pretende criar o Ministério da Segurança Pública, separado do Ministério da Justiça. Durante o confronto, Lula também acusou Flávio de querer entregar o Brasil “para o Trump”, em referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em outro momento do debate, o petista afirmou que pessoas das regiões Sul e Sudeste “nunca se preocupam com o Nordeste”. Flávio, por sua vez, defendeu uma proposta prevista em seu programa de governo. O candidato afirmou que pretende classificar facções criminosas e milícias como grupos terroristas. Segurança pública estava entre os temas definidos para o debate promovido pela Globo. Lula e Flávio disputam o segundo turno neste domingo (25).
São João de R$ 10 milhões em São Luís vira alvo de investigação

SÃO LUÍS, 24 de outubro de 2026 — O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) apura o contrato de R$ 9,99 milhões firmado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Luís para eventos do São João de 2026. A fiscalização encontrou ressalvas no planejamento da parceria com o Instituto de Movimentação para o Desenvolvimento Social (IMDS). O instituto recebeu os recursos para realizar o “São João da Prefs” e o “São Luís Gospel”, na Praça Maria Aragão. A denúncia partiu do Instituto de Estudos Sociais e Terapias Integrativas (IESTI), segundo colocado no chamamento. A entidade questionou a habilitação do IMDS, o plano de trabalho, os custos e exigências do edital. Além disso, o IESTI apontou possíveis falhas na prestação de contas de uma parceria anterior, ligada ao Réveillon de São Luís 2026. A área técnica do TCE encontrou ressalvas no detalhamento dos custos, nas metas, nos indicadores e na contrapartida. Por isso, recomendou suspender novos pagamentos. O relator, conselheiro Marcelo Tavares Silva, negou a suspensão em decisão publicada nesta sexta (23). Prefeitura e IMDS informaram que todo o valor já havia sido repassado, com último pagamento em 20 de agosto. O Município também apresentou um plano de trabalho readequado. A decisão não encerra a apuração nem confirma a regularidade dos gastos. O relator determinou nova análise dos documentos. O processo envolve ainda a ex-secretária Sheury Manuela Silva Neves, integrantes da comissão de seleção e o IMDS. Depois dessa etapa, o caso retornará ao relator.
Lula e Flávio Bolsonaro fazem atos finais de campanha no Sudeste

BRASIL, 24 de outubro de 2026 — Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram neste sábado (24) os últimos atos de campanha em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A estratégia ocorre na véspera do segundo turno, marcado para domingo (25), porque os três estados somam 39,9% do eleitorado brasileiro. São Paulo reúne 34,1 milhões de eleitores, ou 21,5% do total nacional. Minas Gerais tem 16,4 milhões, equivalentes a 10,3%, enquanto o Rio soma 12,8 milhões, ou 8,1%. Flávio venceu nos três estados no primeiro turno. Lula, por isso, tenta diminuir a diferença na reta final. Lula começa o sábado com caminhada em Copacabana, no Rio, às 10h. Depois, segue para São Paulo e encerra a campanha na Avenida Paulista, às 16h. Flávio participa do “Bloco do 22”, em Belo Horizonte, às 9h, e termina a agenda na Barra da Tijuca, no Rio, às 14h. Segundo o calendário do TSE, candidatos podem distribuir panfletos e realizar caminhadas, carreatas e passeatas até as 22h deste sábado. Flávio representa o Rio no Senado desde 2019. Já Lula construiu parte de sua trajetória sindical no ABC paulista, onde comandou greves operárias. No domingo, Lula vota em São Bernardo do Campo e acompanha a apuração em São Paulo. Flávio vota no Rio de Janeiro e depois viaja para Brasília, onde acompanhará a contagem dos votos com familiares e aliados.
Checagem aponta mais falas verdadeiras de Flávio que de Lula

BRASÍLIA, 24 de outubro de 2026 — Checagem do Ranking dos Políticos sobre o debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado em 23 de outubro na TV Globo, apontou maior percentual de declarações verdadeiras para Flávio. A entidade classificou 64,9% das falas analisadas do candidato do PL como verdadeiras, contra 44,4% das afirmações verificadas de Lula. O levantamento analisou 137 alegações dos dois candidatos. Foram 63 declarações de Lula e 74 de Flávio Bolsonaro. Segundo o Ranking dos Políticos, a análise usou dados oficiais, notícias e transcrições. Além disso, as afirmações foram divididas em três categorias: verdadeiras, imprecisas e falsas. Entre as 63 declarações de Lula, a entidade considerou 28 verdadeiras, 26 imprecisas e nove falsas. Logo, os grupos representaram 44,4%, 41,3% e 14,3%, respectivamente. Já entre as 74 afirmações de Flávio, 48 foram consideradas verdadeiras, 21 imprecisas e cinco falsas, equivalentes a 64,9%, 28,4% e 6,7%.
Flávio abre sigilos ao TSE e cobra Lula sobre cartão corporativo

BRASÍLIA, 23 de outubro de 2026 — O senador Flávio Bolsonaro (PL) enviou ao TSE, nesta sexta (23), autorizações para divulgar seus dados bancários e telefônicos, após um acordo com a campanha de Lula para a abertura de sigilos. Flávio exigiu que Lula também revelasse os gastos do cartão corporativo da Presidência e registros de visitas ao gabinete. Ele citou uma auditoria do TCU que indicou que quase 100% dos gastos do cartão entre janeiro de 2023 e abril de 2025 foram classificados como sigilosos. O senador e candidato a Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta sexta-feira, 23, autorizações para divulgar seus dados bancários e telefônicos. O senador também cobrou que seu adversário no segundo turno, o presidente Lula (PT), apresente os gastos do cartão corporativo da Presidência da República e os registros de visitas ao gabinete presidencial. A iniciativa ocorreu depois de as campanhas dos dois candidatos firmarem um acordo para autorizar a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos. O tema entrou na disputa eleitoral durante o debate da TV Bandeirantes, no último domingo, 18, quando Lula desafiou Flávio a divulgar suas informações financeiras. Na petição encaminhada ao TSE, a defesa de Flávio argumentou que a transparência sobre despesas pagas com dinheiro público também deve fazer parte do debate. O senador citou uma auditoria do Tribunal de Contas da União segundo a qual quase 100% dos gastos do cartão corporativo da Presidência, de janeiro de 2023 a abril de 2025, foram classificados como sigilosos ou reservados. FLÁVIO COBRA TRANSPARÊNCIA SOBRE VISITAS Além dos gastos do cartão corporativo, Flávio pediu a divulgação dos registros de pessoas que visitaram o gabinete presidencial. O senador afirmou que essas informações devem ser públicas. A cobrança também ocorre em meio a questionamentos da oposição sobre uma reunião de Lula com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e sobre a relação entre a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Os pedidos de divulgação apresentados por Flávio incluem informações sobre reuniões, visitas e empresas ligadas a pessoas próximas ao petista. Na véspera, o senador também convocou Deltan Dallagnol, ex-procurador da Operação Lava Jato, para analisar os documentos apresentados pela campanha de Lula. Senador eleito pelo partido Novo do Paraná, Dallagnol declarou que pretende verificar se o material entregue pelo presidente está completo. Segundo ele, a análise deve examinar informações fiscais e bancárias do presidente e de familiares, conforme os documentos disponibilizados. TSE DIZ QUE CANDIDATOS PODEM DIVULGAR OS PRÓPRIOS DADOS Nesta quinta (22), o ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, afirmou que os candidatos podem autorizar a divulgação dos próprios dados sem precisar de autorização prévia da Justiça Eleitoral. Segundo o magistrado, cabe aos titulares decidir se e quando tornarão públicas as informações protegidas por sigilo. Mendonça também ressaltou que a divulgação voluntária de dados pessoais não substitui investigações formais conduzidas pelas autoridades competentes. A decisão não determina a publicação automática dos documentos nem confirma que todas as informações solicitadas pelas campanhas serão divulgadas. As campanhas de Lula e Flávio protocolaram o acordo de abertura dos sigilos na quinta. O documento prevê a divulgação de dados dos candidatos e de familiares e pessoas jurídicas abrangidos pelos termos acertados.
Sargento da PM afastado diz que áudios eram brincadeira

BARRA DO CORDA, 23 de outubro de 2026 — O sargento James Mota afirmou nesta sexta (23) que os áudios nos quais defende prender apoiadores do PT eram brincadeiras em um grupo fechado de policiais. Ele foi afastado da Secretaria de Segurança de Barra do Corda após a divulgação das gravações nas redes sociais. Segundo James, o grupo reunia policiais de diferentes posições políticas e as provocações eram recíprocas. Ele reconheceu o uso de expressões fortes, mas negou intenção de perseguir eleitores ou usar o cargo para interferir na eleição. “Jamais utilizaria o cargo que ocupo no município ou minha condição de policial militar para beneficiar ou prejudicar qualquer lado político”, declarou. Em um dos áudios atribuídos ao sargento, ele afirma: “Bora botar esses petistas no lugar deles. Bora prender. O primeiro que nós prender na cidade ou no povoado, sai a história, eles vão ficar com medo”. Em outro trecho, diz que “quem é PT é inimigo da polícia, é inimigo da sociedade”. O TRE-MA comunicou o caso à Polícia Federal. Além disso, o governador Carlos Brandão (MDB) determinou o afastamento e a investigação das declarações. O prefeito Rigo Teles (MDB) já havia afastado James na quinta (22), até o fim do período eleitoral. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, também apresentou notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral. O pedido busca apurar possíveis crimes eleitorais, incluindo suspeitas de intimidação e constrangimento de eleitores.

