
BRASIL, 16 de outubro de 2026 — A seca e a falta de abastecimento de água continuam afetando municípios do Nordeste, mais de duas décadas depois da chegada de Lula (PT) à Presidência da República.
Desde seu primeiro mandato, iniciado em 2003, o petista e seus aliados apresentaram projetos de infraestrutura hídrica como parte das soluções para reduzir os efeitos da estiagem e garantir água à população do semiárido.
A transposição do Rio São Francisco virou palanque de uma das principais iniciativas federais nesse período. As obras começaram em 2007, durante o segundo mandato de Lula, com a proposta de levar água a áreas historicamente afetadas pela seca em Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
O empreendimento avançou ao longo de diferentes governos, com entregas de trechos e estruturas complementares em administrações posteriores.
Apesar dos investimentos, a chegada da água aos reservatórios não significa, necessariamente, abastecimento regular nas residências. Para isso, são necessárias adutoras, estações de tratamento, redes de distribuição e manutenção dos sistemas locais.
A região também recebeu investimentos em cisternas, poços, barragens e sistemas de distribuição.
As iniciativas ampliaram o acesso à água em diversas comunidades rurais, mas não eliminaram a vulnerabilidade de municípios que dependem de chuvas irregulares ou de estruturas insuficientes para atender à população.
O problema voltou a se agravar em 2026. De acordo com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a seca atingia 90% do território nordestino em agosto, o maior percentual entre as cinco regiões brasileiras.
O levantamento apontou seca grave em 16% da região, com intensificação do fenômeno em estados como Bahia, Ceará, Pernambuco e Piauí. Em agosto, 71 dos 358 açudes monitorados pela ANA no Nordeste e no semiárido estavam com menos de 20% da capacidade.
Desse total, 47 armazenavam menos de 10% de água. O açude Jucazinho, em Pernambuco, operava com apenas 3,9% de seu volume.










