
MARANHÃO, 14 de março de 2026 – O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou indícios de irregularidades em pedidos de recursos federais feitos por dois municípios maranhenses para ações emergenciais após chuvas em março de 2024. A decisão consta em acórdão da Primeira Câmara do órgão, que considerou a denúncia parcialmente procedente.
Por unanimidade, os ministros do TCU determinaram o envio de cópia do processo ao Ministério Público Federal (MPF) no Maranhão. O objetivo é que o MPF avalie a adoção de possíveis medidas na esfera federal sobre o caso.
As prefeituras de Carutapera e Lagoa Grande do Maranhão solicitaram verbas à Defesa Civil Nacional. Elas justificaram os pedidos alegando que fortes chuvas haviam causado impactos significativos à população local, com milhares de pessoas desabrigadas, desalojadas ou afetadas.
Os relatórios enviados ao governo federal pelos dois municípios apontavam números expressivos. Os dados informavam 80 pessoas doentes, 270 desabrigados e 1.240 desalojados em decorrência das chuvas na região.
Com base nessas informações, o governo federal autorizou o repasse de aproximadamente R$ 486 mil. Esse montante seria destinado a ações emergenciais de assistência à população afetada especificamente em Lagoa Grande do Maranhão.
Os auditores do TCU verificaram que os pedidos foram apresentados em março de 2024. Embora os recursos tenham sido liberados cerca de dois meses depois, o dinheiro acabou não sendo utilizado pelas prefeituras.
Após notificações feitas pelo tribunal aos gestores municipais, o valor integral foi devolvido aos cofres federais em julho de 2025. Mesmo com a devolução, a equipe técnica do TCU identificou outro aspecto preocupante nos documentos.
A análise revelou uma grande semelhança entre os formulários enviados pelos dois municípios. Justificativas, metas e valores muito parecidos levantaram dúvidas sobre a veracidade e a consistência das informações registradas nos sistemas oficiais.
Paralelamente à auditoria federal, a própria prefeitura de Lagoa Grande do Maranhão instaurou um procedimento interno para apurar as falhas. A investigação municipal concluiu que três servidores inseriram informações inconsistentes no sistema federal de desastres.
O caso também passou a ser investigado pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA). O atual prefeito do município, Neres Policarpo, já figura como réu em uma ação que tramita na Justiça Estadual sobre o ocorrido.
Segundo o promotor Aarão Castro, as diligências realizadas pelo MPMA não confirmaram os números apresentados ao governo federal. As visitas técnicas e entrevistas com moradores mostraram uma realidade diferente da descrita nos documentos.
As inspeções confirmaram a ocorrência de chuvas intensas na região. No entanto, elas não apontaram a situação de calamidade pública nem o elevado número de pessoas afetadas que foi informado nos relatórios oficiais das prefeituras.
O promotor informou que o Ministério Público já ingressou com ação judicial contra o gestor e outros agentes. Os investigados apresentaram contestação e informaram à Justiça sobre a devolução dos recursos federais.
Após a manifestação do MP, o processo na esfera estadual entrou na fase de instrução. Agora, com a decisão do TCU, o caso foi encaminhado ao MPF para possível abertura de investigação federal.







