
BRASÍLIA, 14 de outubro de 2026 — O escritório de advocacia de Michel Temer firmou um contrato de até R$ 30 milhões com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, para atuar na tentativa de viabilizar a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). Assinado em 3 de setembro de 2025, o acordo previa o pagamento de R$ 10 milhões em honorários iniciais e outros R$ 20 milhões caso a operação, que dependia de autorização do Banco Central (BC), fosse concluída. Procurado, o ex-presidente não se manifestou.
O documento foi alvo de discussão em mensagens trocadas entre Vorcaro e o publicitário Elsinho Mouco, interlocutor de Temer. Os diálogos também mostram que a contratação foi acompanhada de sucessivas cobranças por pagamentos. Procurado, Elsinho também não se manifestou.
O acordo formal previa a atuação do escritório em frentes como o acompanhamento de uma ação judicial relacionada ao Banco Central, uma representação apresentada ao Tribunal de Contas da União (TCU) e a busca de mediação junto aos órgãos competentes.
O contrato foi encaminhada a Vorcaro por Elsinho em 3 de setembro de 2025. Na mensagem, o publicitário afirmou que o contrato já estava assinado e continha os dados bancários do escritório.
Pelo acerto, seriam pagos R$ 5 milhões na assinatura e outros R$ 5 milhões após 30 dias. Os R$ 20 milhões restantes correspondiam a honorários de êxito, condicionados à concretização da transação entre Master e BRB, após autorização do Banco Central. Isso não ocorreu, pois o negócio foi vetado pela autoridade monetária.
“Assinado em definitivo o Contrato após autorização do Banco Central do Brasil, os honorários de êxito deverão ser pagos 20 (vinte) dias após esse fato”, estabelecia a cláusula sobre os pagamentos.
As conversas revelam ainda contatos diretos entre o ex-presidente e Vorcaro, além da mediação de reuniões em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em novembro de 2025, pouco antes de o banqueiro ser preso.
O que previa o contrato com Temer
Entre as atribuições do escritório de Temer estava anular eventual decisão do Banco Central que tivesse a participação do diretor Renato Lemos. Segundo o texto, o Master atribuía a demora na aprovação da operação à atuação de Lemos, considerada pelo próprio banco “equivocada e prejudicial à negociação”.
Outra frente envolvia o Tribunal de Contas da União (TCU). O contrato mencionava uma denúncia apresentada pelo Banco Bluebank, integrante do mesmo grupo financeiro do Master, e distribuída ao ministro Jhonatan de Jesus.
Na sequência, o documento estabelecia que o escritório de Temer deveria “assinar e acompanhar os referidos processos juntamente com outros colegas advogados já contratados”. A previsão abrangia, portanto, os procedimentos judiciais e a representação ao TCU mencionados no contrato.
O escritório também se comprometia a buscar “mediação junto a todos os organismos competentes” para viabilizar a formalização e a conclusão da operação entre o Master e o BRB.
Negociação para o contrato
Meses antes de fecharem o contrato, Elsinho já dialogava com Vorcaro por mensagens. Em 28 de março de 2025, após o anúncio da operação entre Master e BRB, Elsinho encaminhou uma reportagem sobre o negócio ao banqueiro e o parabenizou.
“Parabéns, Daniel, você é um gigante”, escreveu.
Só em setembro de 2025 Vorcaro passou a tratar diretamente da contratação do escritório de Temer. Além de encaminhar o contrato, Elsinho organizou agendas com o ex-presidente e cobrou pagamentos.
O próprio Temer também procurou Vorcaro. Em 5 de setembro de 2025, dois dias depois do envio do documento, escreveu: “Qdo pud er me ligue”.
Os registros mostram uma ligação de dois minutos e 16 segundos entre o ex-presidente e o banqueiro naquele dia. Em 9 de setembro de 2025, os dois voltaram a conversar por telefone durante sete minutos e 29 segundos. Há ainda registros de chamadas nos dias 10 e 17 daquele mês.
Em 9 de setembro de 2025, enquanto Elsinho cobrava informações sobre os honorários, Vorcaro informou ao publicitário que estava no Banco Central e só poderia conversar mais tarde.
“Estou no banco central hoje, consigo chamar somente mais tarde”, escreveu.
“Tranquilo. Depois checa com sua equipe se já fizeram o pagamento”, respondeu Elsinho.










