Movimentos de esquerda convocam protesto contra Bolsonaro

BRASIL, 29 de fevereiro de 2023 – Movimentos sociais e sindicatos de esquerda anunciaram nesta semana a convocação de manifestações em todas as 27 capitais do Brasil no dia 23 de março, com o objetivo de exigir a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão ocorreu dois dias após Bolsonaro reunir 750 mil pessoas na Avenida Paulista, onde defendeu anistia para envolvidos nos protestos de 8 de janeiro. Os protestos serão liderados pela Frente Povo Sem Medo (FPSM) e Frente Brasil Popular, com apoio do PT, PCdoB e PSOL, além de líderes de movimentos sociais. Embora as manifestações estejam planejadas para todas as capitais, São Paulo e Salvador terão destaque especial, considerando o histórico de mobilizações na primeira e a importância eleitoral para o presidente Lula na segunda.
Chanceler de Israel agradece apoio na Avenida Paulista

BRASIL, 26 de fevereiro de 2024 – O ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, agradeceu ao povo brasileiro pelo apoio demonstrado durante a manifestação pró-Jair Bolsonaro realizada no último domingo (25) na Avenida Paulista, em São Paulo. Em declarações divulgadas nas redes sociais nesta segunda (26), Katz compartilhou uma foto do protesto e reiterou a importância do respaldo.
A ofensiva judicial contra o bolsonarismo falhou

Na efervescente Avenida Paulista, neste 25 de fevereiro, desdobrou-se um espetáculo de resistência absoluta. A ofensiva judicial contra o bolsonarismo fracassou. Contra todas as expectativas, a condenação de donas de casa, vendedores ambulantes e idosas – figuras até então anônimas da sociedade, sentenciadas a penas que alcançam os 17 anos por participarem dos atos de 8 de janeiro de 2023 – não arrefeceu os ânimos de bolsonaristas pelo Brasil. Talvez tenha até inflamado o fervor dos apoiadores do ex-presidente. Diante desta constatação primária, emergem outras, mais sutis, porém igualmente significativas. A despeito da derrota nas urnas de 2022, que viu a ascensão de Lula ao poder, a direita brasileira não apenas sobrevive, mas pulsa com vigor renovado. O que outrora se manifestava como um fervor limitadamente popular agora se consolida como uma força política palpável, como evidenciado pela manifestação do dia 25 de fevereiro. Nunca antes tantos políticos eleitos haviam participado de eventos semelhantes quanto ontem. O povo de antes estava lá, de novo. Só que dessa vez acompanhado por dezenas centenas de deputados estaduais e federais, prefeitos, vereadores, senadores, governadores e presidentes de partidos. Nem mesmo no ápice de seu mandato como presidente, Bolsonaro não conseguiu atrair tantos políticos a seus atos. E isso terá reflexos diretos nas urnas. A manifestação de ontem reforça a trajetória ascendente nas eleições de 2018, 2020 e 2022, prenunciando um desempenho robusto em 2024. O Partido Liberal, refúgio partidário do bolsonarismo, firmou-se como uma das mais proeminentes forças no Congresso Nacional em 2022, e tudo indica que expandirá seu domínio às prefeituras do país em 2024. Atualmente, o PL detém o comando de aproximadamente 370 prefeituras, contrastando com as cerca de 220 sob gestão do PT. A liderança, contudo, pertence ao PSD, com 960 prefeituras. Nesse cenário, é plausível prever que o partido de Bolsonaro dobrará sua representação municipal. Para o governo federal, tal demonstração de força é um augúrio sombrio. Lula vê-se privado da hegemonia popular que o caracterizou em outrora, derrotado pela multidão dos “amarelinhos”. A influência e poder de entidades como UNE, CUT e MST em manifestações populares foi enterrada ontem. A noção de que as ruas eram um reduto da esquerda desvanece, especialmente considerando que a manifestação ocorreu sob a ameaça de represália jurídica. Assim, a certeza de que as ruas não mais se curvam diante da esquerda, diante do insucesso da campanha intimidatória do Judiciário e da incapacidade de Lula de eclipsar a popularidade de Bolsonaro fazendo um bom mandato, coloca o governo em uma posição de vulnerabilidade. O Congresso se vê diante de um executivo fragilizado, complicando sobremaneira as negociações políticas. A manifestação de 25 de fevereiro, mais do que um ato de resistência, foi uma declaração ao mundo e ao povo brasileiro de que o bolsonarismo, contra todas as adversidades, permanece incólume. Longe de ser uma mera sobrevivência, o movimento mostra-se imune às investidas de seus adversários. Eles não “derrotaram” o bolsonarismo como disse um certo togado durante participação ilegal da esquerda. Eles apenas ganharam um cargo em uma eleição em que o tal bolsonarismo saiu muito maior do que no pleito passado. Segue o jogo!
Lula encerrou ação de Bolsonaro contra exploração sexual infantil

PARÁ, 23 de fevereiro de 2024 – No último mês de setembro, o presidente Lula (PT) anulou o programa ‘Abrace o Marajó’, uma iniciativa do governo Jair Bolsonaro (PL) que visava combater a exploração sexual infantil no arquipélago de Marajó, no Pará, habitado por meio milhão de pessoas. Antes da conclusão oficial do ‘Abrace o Marajó’, em maio do mesmo ano, o governo federal introduziu o programa ‘Cidadania Marajó’, como substituto, liderado pela ex-ministra Damares Alves. Segundo o Planalto, essa ação foi motivada por denúncias identificadas pela Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia da Câmara dos Deputados. A justificativa para a revogação do ‘Abrace o Marajó’ baseou-se na acusação de que a iniciativa estava sendo utilizada “para a exploração de riquezas naturais e para atender a interesses estrangeiros, sem benefício ou participação social da população local”. Por outro lado, o ‘Abrace o Marajó’ havia ganhado notoriedade com a promessa de “melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios que compõem o Arquipélago de Marajó”. O investimento inicial anunciado pelo governo Bolsonaro era de R$ 4 bilhões, abrangendo ações de 16 ministérios, com foco em áreas como desenvolvimento social, infraestrutura, desenvolvimento produtivo e institucional. No entanto, o governo Lula argumentou que os indicadores não refletiram resultados positivos na região. Como resposta, o ‘Cidadania Marajó’ foi introduzido com a proposta de “garantir direitos à população e enfrentar a violência sexual contra crianças e adolescentes”. O programa enfatizou a participação social e o diálogo constante com a sociedade civil, comunidades locais e outros entes do poder público.
PT aciona Ministério Público contra ‘Ato Pela Democracia’

SÃO PAULO 21 de fevereiro de 2024 – O diretório estadual do PT em São Paulo apresentou uma representação ao Ministério Público Eleitoral do Estado contra o evento intitulado ‘Ato Pela Democracia’, convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e programado para ocorrer domingo (25), na Avenida Paulista. A ação do PT paulista argumenta que a mobilização, ao ser liderada por Bolsonaro, carrega consigo o potencial de representar um risco ao Estado Democrático de Direito. A legenda alega preocupação de que tais eventos possam resultar em ataques à estrutura democrática do país. No documento encaminhado à Promotoria, o partido solicita a adoção de medidas preventivas para evitar atos autoritários e a abertura de investigações sobre possíveis crimes relacionados ao Estado Democrático de Direito, ao financiamento da manifestação ou à prática de propaganda eleitoral antecipada. Apesar de sua investida legal contra o evento e seus opositores, o Partido dos Trabalhadores de São Paulo nega qualquer intento de impor uma ‘censura prévia’ aos adversários políticos. O presidente do diretório, o deputado federal Kiko Celeguim, que assina a representação, destacou que o objetivo não é impedir a livre manifestação de pensamento nem a realização de protestos públicos. “Não se nega o direito de livre manifestação de pensamento e a possibilidade de realização de manifestações públicas”, afirmou o PT paulista na representação. “Tais direitos, todavia, não podem afrontar o Estado Democrático de Direito”, enfatizou o parlamentar.
Justiça arquiva ação contra Bolsonaro por atos de 7 de setembro

BRASÍLIA, 20 de fevereiro de 2024 – A Justiça Federal, nesta segunda (19), arquivou mais uma ação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), relacionada aos eventos de 7 de Setembro de 2021. O processo, movido por entidades do Direito, alegava incitação a atos antidemocráticos durante o discurso das comemorações. Remetido à 1ª instância após Bolsonaro perder o foro privilegiado, a decisão cabe recurso. O Ministério Público Federal (MPF) chamou as falas de Bolsonaro de “meras bravatas”, e o juiz Antonio Claudio Macedo da Silva acolheu o pedido do MPF, destacando a falta de “justa causa” para a ação penal. As declarações do ex-presidente, que afirmou não cumprir decisões do ministro do STF Alexandre de Moraes, foram consideradas pelo MPF como “discursos políticos e acalorados”, não configurando ilícito penal. Após a polêmica, uma carta redigida pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou que não havia intenção de Bolsonaro em agredir o Judiciário.
Para a maioria, prisão de Bolsonaro seria injusta, revela pesquisa

BRASIL, 09 de fevereiro de 2024 – A maioria dos brasileiros é contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). É o que aponta o mais novo levantamento do instituto Paraná Pesquisas, que ouviu eleitores em 26 Estados e no Distrito Federal entre os dias 24 e 28 de janeiro. Antes, portanto, da deflagração da operação desta quinta (8), que mirou mais aliados de Bolsonaro e o obrigou a entregar seu passaporte. O estudo mostra que mais da metade dos entrevistados, representando 52%, considerariam uma eventual prisão do ex-presidente injusta. Por outro lado, os que consideram a medida justa são 38%. Na sondagem, o instituto também questionou a percepção dos brasileiros sobre o 8 de Janeiro. Para 49,2% dos entrevistados, Bolsonaro não tem responsabilidade sobre a invasão às sedes dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, em Brasília. Mesmo diante de um intenso bombardeio político, midiático e jurídico que miram o direitista, ainda assim a maioria não legitima a narrativa levantada contra o ex-mandatário. Em contrapartida, na opinião de 41,1%, o ex-presidente tem, sim, responsabilidade pelo vandalismo na capital federal. A pesquisa também quis saber como o eleitorado interpreta o que aconteceu naquele 8 de janeiro de 2023, se o país esteve sob algum perigo ou não. Na avaliação da maioria, 35% dos entrevistados, a democracia brasileira não correu risco, enquanto 26% relataram que a democracia brasileira esteve sob algum risco. Quanto às condenações aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra os chamados pela Corte de ‘golpistas’, 48,1% afirmaram discordar das penas aplicadas, que são superiores a 15 anos de prisão. Os que concordaram foram 42,8%. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais para mais e para menos. a taxa de confiança é de 95%.
Supostos escândalos não abalam popularidade de Bolsonaro

BRASÍLIA, 09 de fevereiro de 2024 – A capacidade de resistência do ex-presidente Bolsonaro foi quantificada em um novo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas. Entre os dias 24 e 28 de janeiro, a empresa ouviu 2026 eleitores em todos os estados e questionou em quem eles votariam para presidente se a eleição fosse hoje, colocando o capitão como uma das opções. No cenário principal, Lula alcança 36,9% e Bolsonaro, 33,8%, um empate dentro da margem de erro, que é de 2,2 pontos percentuais. Na simulação de uma hipotética reedição do segundo turno de 2022, há um novo empate dentro da margem de erro: Lula tem 43,9% e Bolsonaro, 41,9%. “Os números mostram que o quadro político continua extremamente polarizado”, diz o diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo. “Isso é bom para os dois. Por isso é que nem Lula nem Bolsonaro desceram do palanque”, afirma. O Paraná Pesquisas ainda perguntou aos eleitores se entendiam que Bolsonaro foi injustiçado pela decisão do TSE que o tornou inelegível. A maioria (48,4%) faz coro às queixas do ex-presidente de que a decisão foi injusta. Um exemplo de como Bolsonaro investe cada vez mais na narrativa de perseguição está relacionado à recente busca que a PF realizou na casa de praia de sua família em busca de provas do envolvimento de Carlos Bolsonaro no escândalo da Abin de espionagem de adversários políticos. Na ocasião, um veículo de imprensa divulgou que um computador da Abin havia sido apreendido em poder do Zero Dois. A informação foi corrigida horas depois, mas o ex-presidente reclama do caso até hoje. Antes do comício de São Sebastião, ele vinha mantendo abertas as portas de sua casa de praia em Mambucaba, em Angra, para conversar com eleitores sobre seus temas preferidos, como o potencial do nióbio, e posar para fotos. Esse comportamento informal e o gosto de falar como povão no “cercadinho”, como o próprio capitão batizou o QG de Mambucaba, causa ainda alguma perplexidade entre os aliados, que anseiam por uma agenda mais profissional de encontros políticos e de ações de campanha. “Mas ele sempre fez tudo ‘errado” e deu certo”, pondera um aliado, lembrando dos tempos em que ele chegou ao Palácio do Planalto fazendo campanha com um celular e sendo seguido por uma entourage que cabia dentro de uma Kombi. Boa parte dos brasileiros nunca irá esquecer alguns dos muitos erros de seu governo, com destaque para a tragédia dos 700 000 mortos durante a pandemia. É preciso ainda ver até que ponto as investigações sobre ele podem de fato incriminá-lo. A certeza do momento é a de que, no país polarizado, como mostra a pesquisa, o “cercadinho” tem se mostrado mais resistente do que muitos imaginavam.