Lula anuncia programa de mais de R$ 10 bilhões contra crime

BRASÍLIA, 12 de maio de 2026 — O presidente Lula (PT) anunciou o Programa Brasil Contra o Crime Organizado. O anúncio ocorreu nesta terça (12). O plano tem R$ 11 bilhões em financiamento. Ele é dividido em quatro eixos. O primeiro eixo visa a asfixia financeira das organizações criminosas. O segundo promove padrão de segurança máxima no sistema prisional. O terceiro eixo amplia as taxas de esclarecimento de homicídios. E o quarto eixo enfrenta o tráfico de armas, munições e explosivos. A cerimônia contou com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Também estavam presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. Lula cobrou colaboração do Poder Judiciário. O petista citou reclamação de governadores sobre soltura de criminosos logo após a prisão. Do total, R$ 1,06 bilhão será de recursos da União. O valor inclui R$ 388,9 milhões para asfixia financeira. Além disso, R$ 330,6 milhões vão para o sistema prisional. R$ 201 milhões destinam-se ao esclarecimento de homicídios. Por fim, R$ 145,2 milhões combatem o tráfico de armas. Outros R$ 10 bilhões são de linha de crédito para estados e municípios. O vice-presidente Geraldo Alckmin criticou normas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Alckmin disse que a liberação de armas foi a “única” política de segurança do governo anterior. Ele afirmou que o acesso a armas deve ser da polícia. Ele relacionou a ampliação do porte ao aumento de feminicídios. O presidente da Câmara, Hugo Motta, destacou o combate ao feminicídio. Motta disse que a segurança é uma das “preocupações mais concretas da vida nacional”. Ele adiantou que o grupo de trabalho sobre o PL da Misoginia apresentará parecer até o início de junho. Lula reforçou que só criará o Ministério da Segurança após aprovação da PEC da Segurança Pública. A matéria está parada no Senado há dois meses. O programa será estruturado por quatro portarias e um decreto presidencial. Os recursos vêm do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS).
Brasil lidera América Latina com o povo sob domínio de facções

BRASIL, 04 de maio de 2026 — Entre 50,6 e 61,6 milhões de pessoas no Brasil, o equivalente a 26% da população, estão submetidas à chamada “governança criminal”, um conceito que enquadra o poder paralelo exercido por organizações criminosas sobre comunidades inteiras, afetando rotinas, segurança, eleições e até o acesso a serviços públicos. É o que aponta o estudo “Governança Criminal na América Latina: Prevalência e Correlatos”, elaborado por pesquisadores de quatro universidades norte-americanas. Publicado pela Cambridge University Press, o levantamento consta em publicação da revista de ciência política Perspectives on Politics. O Brasil aparece isolado na liderança do ranking regional, à frente de países historicamente associados à violência do narcotráfico, como México, Colômbia e El Salvador. O eixo de controle do crime organizado contempla periferia de grandes cidades, regiões metropolitanas e até municípios de pequeno porte. São territórios onde prevalece também, ou apenas, o que mandam as facções criminosas: toque de recolher, proibição de chamar a polícia, pagamento de taxas de proteção, falta de liberdade para escolher fornecedores de produtos e serviços, além de demonstrações de força em via pública. Em toda a América Latina, esse tipo de domínio afeta entre 77 e 101 milhões de habitantes, o equivalente a 14% da população regional. O Brasil responde sozinho por boa parte desse total. Para se ter dimensão do que isso representa, a população sob governança criminal no Brasil é maior do que a população total de países como Argentina e Colômbia. Relatório de Inteligência da Secretaria Nacional de Políticas Penitenciárias do Ministério da Justiça, publicado no final de 2024, aponta a existência de pelo menos 88 facções criminosas no Brasil, entre elas PCC e CV, com atuação em praticamente todo o território nacional e no tráfico internacional de drogas. O Nordeste é a região com o maior número de organizações criminosas conhecidas pelo Ministério da Justiça: 46 foram mapeadas entre 2022 e 2024. Em seguida, aparecem as regiões Sul com 24, Sudeste com 18, Norte com 14 e Centro-Oeste com 10.
Rejeitado relatório de CPI que indiciaria ministros do STF

BRASÍLIA, 15 de abril de 2026 – O relatório final da CPI do Crime Organizado foi rejeitado nesta terça (14) no Senado. A base governista articulou uma mudança de última hora na composição da comissão. O texto do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) foi derrubado por seis votos a quatro. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), se opôs ao relatório, apesar de não votar. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), atuou diretamente na derrubada do texto. Pouco antes do início da votação, ele enviou um ofício ao presidente da CPI. O documento determinou alterações na formação da comissão. A comissão passou a contar com mais parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT).
Crime organizado soma mais de 500 processos no Maranhão

MARANHÃO, 26 de março de 2026 – A Justiça do Maranhão registrou 511 ações relacionadas ao crime organizado entre 2020 e 2025, conforme dados divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça nesta terça (24). O levantamento integra o Painel Nacional do Crime Organizado e reúne processos pendentes, julgados e outros tipos de ações no estado. O painel aponta que, até 2025, havia 377 ações penais pendentes de julgamento e outras 41 ações diversas em tramitação. No mesmo período, o Judiciário maranhense julgou 93 processos, totalizando o volume de casos ligados ao crime organizado acompanhados pela plataforma. De acordo com o CNJ, apenas em 2025 foram ajuizadas 34 novas ações penais e outras 25 ações relacionadas ao crime organizado no Maranhão. Inclusive, foram registrados 92 recursos contra decisões judiciais e outros 75 recursos vinculados a novos processos em tramitação. O levantamento também indica que, no ano passado, 87 das 93 ações julgadas foram de natureza penal. Esses dados fazem parte da iniciativa do CNJ, que busca ampliar o acesso a informações e contribuir para políticas públicas voltadas ao enfrentamento do crime organizado. RANKING DE CRIMES NO ESTADO Entre os crimes que mais geraram processos, lidera o delito de promoção, constituição, financiamento ou integração de organização criminosa, com 113 ações. Em seguida, aparece o tráfico de drogas, com 11 processos, e os crimes de lavagem de dinheiro, com 10 registros. Também constam na lista crimes relacionados ao sistema nacional de armas e descumprimento de decisão judicial, ambos com 10 casos. Além disso, há registros de associação para o tráfico, crimes previstos na Lei de Licitações, homicídio qualificado, peculato e colaboração com o tráfico.
País tem mais de 12 mil ações contra facções sem julgamento

MARANHÃO, 24 de março de 2026 – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou nesta segunda (23), que há 12.448 ações penais relacionadas ao crime organizado ainda sem julgamento nos tribunais brasileiros. De acordo com o levantamento, o número de novos processos mais que dobrou em cinco anos. Passou de 2.607 em 2020 para 6.761 em 2025, o que representa um crescimento de quase 160%. Os dados foram apresentados pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ, ministro Edson Fachin, que disse: “O crime organizado corrói as instituições, captura mercados lícitos, financia a violência, instrumentaliza o sistema financeiro para a lavagem de seus produtos”. De acordo com o magistrado, o crime “disputa com o Estado o monopólio do uso da força em territórios que, abandonados pelo Poder Público, se tornaram vulneráveis”.
Até 61 milhões de brasileiros vivem sob domínio de facções

MARANHÃO, 14 de janeiro de 2026 – Amplas extensões do território nacional, principalmente nas grandes cidades, dominadas por facções criminosas armadas. Cenas de guerra em confrontos entre bandidos e polícia. Execuções cinematográficas de autoridades e criminosos em público e à luz do dia. Infiltração na política e na economia formal, com lavagem de bilhões de dólares no mercado financeiro do país. Autoridades zonzas e nenhuma luz no final do túnel. Afinal, o Brasil já pode ser considerado um narcoestado? Enquanto especialistas debatem o assunto e as autoridades batem cabeça em busca de soluções, independentemente do nome que se dê ao problema, o crime organizado avança país afora. Pesquisas recentes mostram a extensão da percepção do brasileiro sobre o problema, e mostram que, se não agir rápido para uma curva de reversão, em pouco tempo talvez esse caminho não tenha mais volta. De acordo com o estudo “Governança criminal na América Latina: prevalência e correlações”, realizada na universidade britânica de Cambridge e publicada em agosto de 2025 na revista de ciência política Perspectives on Politics, uma população entre 50,6 milhões a 61,6 milhões de pessoas no Brasil vive em locais que possuem regras diferentes das vigentes para os demais cidadãos. São territórios onde prevalece também (ou apenas) o que mandam as facções criminosas. Trata-se de algo entre 25% e 30% da população nacional, de acordo com o último Censo do IBGE. Outro levantamento recente sobre o problema, conduzido pelo instituto de pesquisas Datafolha e divulgado em outubro do ano passado, traz um número um pouco menos catastrófico, mas não por isso menos alarmante: ao menos 28 milhões de brasileiros vivem em territórios sob jugo de facções criminosas ou milícias no país. O crescimento foi de cinco pontos percentuais em um ano.
Farra do INSS: chefe de ONG já foi preso por crime organizado

BRASÍLIA, 16 de dezembro de 2025 – Sediada em uma sala de 35 m² no Setor Bancário Sul, em Brasília, a Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA) – uma das associações investigadas por faturar R$ 221,8 milhões na Farra do INSS – tem como presidente um aposentado que já foi preso sob acusação de liderar organização criminosa na capital da República. Em 2015, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz foi um dos 18 alvos da Operação Enredados, deflagrada pela Polícia Federal (PF). À época, a investigação revelou esquema de crimes ambientais e contra a administração pública com ramificações em diversos estados, cuja sede era em Brasília. A prisão preventiva de Abraão foi decretada em 14 de outubro de 2015. No documento, ele é citado como líder da organização criminosa que atuava junto ao extinto Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). As acusações formais imputadas a Abraão incluíam corrupção ativa, crimes contra o meio ambiente, emissão de autorização em desacordo com as normas ambientais e crimes praticados por particular contra a administração. Segundo a operação, Abraão agia na liderança do grupo, juntamente com outros indivíduos, para obter atos administrativos ilícitos junto ao MPA. As ações incluíam emissão de licença para a venda de arraias com finalidade ornamental e ampliação da capacidade de estocagem desses animais por empresas laranjas. Após solicitação da defesa, o presidente da CBPA foi solto em janeiro de 2016. O processo ainda tramita na Justiça. Quatro anos depois, em 2020, Abraão se tornou réu novamente em ação penal. Desta vez, foi denunciado na Justiça eleitoral por falsidade ideológica.
Brasil sobe para 14º lugar em ranking do crime organizado

BRASIL, 10 de novembro de 2025 – O Brasil registrou piora na prevalência do crime organizado, segundo relatório divulgado nesta segunda (11), pela Iniciativa Global Contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC). O país ocupa agora a 14ª posição no Índice Global de Crime Organizado, que avalia 193 nações. Em 2023, o Brasil estava na 22ª colocação. A pesquisa analisou dados de 2021 a 2025 e considerou tanto o nível de criminalidade quanto a capacidade dos Estados de combater grupos criminosos. As pontuações variam de 0 a 10 e medem o impacto do crime organizado com base em fatores como estrutura das organizações e mercados ilícitos em operação. Já na classificação de resiliência, o Brasil aparece em 86º lugar, avanço em relação à 94ª posição registrada em 2023. Ainda assim, o país integra o grupo de 66 nações com alta criminalidade e baixa capacidade de enfrentamento, ao lado de México, Camboja, Rússia, Camarões e Etiópia. O pior desempenho é o de Mianmar, na Ásia. O estudo mostra que países com baixo índice de resiliência enfrentam ameaças significativas em diversos mercados ilícitos e têm falhas nos mecanismos de combate. Ranking de criminalidade Venezuela (6.97) Mianmar (8.08) Colômbia (7.82) México (7.68) Paraguai (7.48) Equador (7.48) República Democrática do Congo (7.47) África do Sul (7.43) Nigéria (7.32) Líbano (7.30) Turquia (7.20) Quênia (7.18) Iraque (7.17) Honduras (7.10) Brasil (7.07) Líbia (7.05) República Centro-Africana (7.03) Afeganistão (7.02) Camboja (7.02) Síria (6.98) Continue lendo…