Estudo aponta falta de transparência de obras da COP30

BELÉM, 04 de novembro de 2025 – Um estudo da Transparência Internacional divulgado nesta segunda (3) identificou falhas na divulgação de informações sobre as obras públicas para a COP30 em Belém, no Pará. O governo federal, o governo estadual e a prefeitura da capital não publicaram dados essenciais sobre licenciamento ambiental, convênios e processos de contratação dos 23 empreendimentos, que somam R$ 2,8 bilhões em recursos. A análise avaliou projetos financiados por União, BNDES e Itaipu Binacional. Dentre os principais projetos com transparência insuficiente estão o Parque Linear Doca, orçado em R$ 365,8 milhões, e a ampliação da Rua da Marinha, com valor de R$ 248,5 milhões. O BNDES e a Itaipu, que financiam 21 das 23 obras, não disponibilizaram os documentos completos ou os valores repassados em cada etapa. Consequentemente, não é possível monitorar com precisão a execução orçamentária desses grandes investimentos públicos.
STF abre inquérito sobre suspeita de fraude em obra da COP30

BRASÍLIA, 09 de agosto de 2025 – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito para investigar uma suposta organização criminosa no Pará. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo seria responsável por saques milionários relacionados a uma licitação de R$ 142,3 milhões para obras da COP30. Além do deputado estadual Antônio Doido, outras 11 pessoas são investigadas. Entre elas estão o secretário de Obras Públicas do Pará, Ruy Cabral, e o policial militar Francisco de Assis Galhardo do Vale, apontado como segurança do parlamentar. O inquérito tramita sob sigilo. De acordo com a PGR, o esquema envolveria as empresas J.A Construcons Civil Ltda, em nome de Andrea Dantas, esposa de Doido, e JAC Engenharia Ltda, registrada em nome de Geremias Hungria, funcionário de uma fazenda do deputado. Juntas, formaram o Consórcio Perna Norte, que apresentou proposta para obra em Belém prevista na preparação da COP30. A Secretaria de Obras Públicas lançou, em maio de 2023, licitação para execução da Perna Norte, da rua da Marinha até o Canal do Bengui. Em setembro, o consórcio ofereceu proposta de R$ 142,3 milhões. A PGR afirma que ambas as empresas seriam controladas pelo parlamentar. No mesmo dia em que apresentou a proposta, o coronel Galhardo sacou R$ 6 milhões em um banco de Castanhal (PA) e tentou se encontrar com o secretário Ruy Cabral. Em outubro, Galhardo e Hungria foram presos em flagrante enquanto sacavam quase R$ 5 milhões na mesma cidade. A prisão ocorreu após denúncia anônima. A análise de mensagens no celular do coronel indicou indícios de crimes eleitorais, corrupção e lavagem de dinheiro. A PGR aponta ainda uso de lotéricas e intermediários para movimentar recursos, transportados em sacolas plásticas e até sacos de lixo.
Água para a COP30 custa até 611% mais caro sob governo Lula

MARANHÃO, 21 de maio de 2025 – A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), prevista para novembro contará com 51 mil galões de 20 litros, adquiridos a preços que poderiam fazer inveja a restaurantes de luxo. Segundo levantamento do portal Metrópoles, a conta da hidratação ambiental atingiu os R$ 1 milhão. Isso inclui 14,2 mil galões por R$ 30,22 e outros 37,5 mil por R$ 18,27 cada. Para fins de comparação, o Senado Federal, conhecido por sua parcimônia, comprou recentemente galões semelhantes por módicos R$ 4,25. A diferença chega a 611%. A operação foi viabilizada por meio de convênio direto com a Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, Ciência e Cultura (OIE), sem necessidade de licitação — recurso cada vez mais usado quando a urgência supera a transparência. O acordo totalizou R$ 480 milhões, dos quais a OIE fica com 5% como taxa de administração. A mesma OIE chegou a apresentar, em orçamento inicial, preços ainda mais animadores: R$ 60,44 por galão para a Zona Verde e R$ 36,54 para a Zona Azul. Após “negociação”, os valores caíram para R$ 30,22 e R$ 18,27, respectivamente. A Secretaria Extraordinária da COP30 justificou os valores, afirmando que eles refletem “a realidade local de Belém”. A explicação é plausível, sobretudo se considerarmos que água encanada em áreas urbanas da Amazônia muitas vezes não chega com regularidade — talvez por isso o transporte em galões demande logística digna de operações militares.