Dívida externa do Brasil cresce mais que reservas internacionais

BRASIL, 21 de outubro de 2026 — Com o crescimento da dívida externa em ritmo superior ao das reservas internacionais, o Brasil perdeu a posição mantida por 19 anos de credor internacional. Dados do Banco Central (BC) indicam que as reservas, de US$ 402 bilhões (incluindo créditos brasileiros no exterior), já não cobrem todo o endividamento do País com o resto do mundo. Somando setor público, bancos e empresas, a dívida externa alcançou US$ 407,1 bilhões, maior nível em 40 anos de estatísticas. Com isso, a dívida externa líquida, negativa de 2007 a 2025 — ou seja, deixando o Brasil em posição de credor —, voltou ao terreno positivo: US$ 5,1 bilhões, segundo o balanço mais recente, de junho. O quadro não preocupa, por ora, economistas e agências de classificação de risco, mas é acompanhado com atenção pelo potencial de virar vulnerabilidade caso o déficit em transações correntes siga elevado e haja saídas relevantes de dólares. Um episódio desse tipo ocorreu no fim de 2024, quando o estresse do mercado com a política fiscal obrigou o BC a fazer a maior intervenção da história do regime de câmbio flutuante. Analistas consultados pelo Estadão/Broadcast consideram improvável a dívida externa líquida voltar a ultrapassar a marca de US$ 70 bilhões, como acontecia duas décadas atrás, mas veem como plausível uma aproximação da marca de US$ 30 bilhões nos próximos dois anos. Mesmo com exportações ampliando a entrada de dólares e com a desaceleração econômica limitando saídas via importações e remessas de lucros, o déficit em transações correntes ficou estruturalmente mais alto nos últimos anos. Pesam, entre outros fatores, o aumento de gastos com serviços como streaming, investimentos em criptoativos e o pagamento de dívidas a credores internacionais. No ano passado, US$ 67,4 bilhões deixaram o País por transações correntes, considerando os saldos de comércio de bens e serviços e as transferências de renda ao exterior.
Feminicídio cresceu em todos os anos do governo Lula III

BRASIL, 16 de outubro de 2026 — O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O total subiu 4% em relação a 2024 e marcou o quarto recorde consecutivo do indicador, mantendo a alta em todos os anos completos do terceiro mandato de Lula. O avanço ocorreu mesmo com a queda geral da violência letal no país. Em 2025, foram 40.775 mortes violentas intencionais, redução de 8,2% frente a 2024 e a menor taxa da série histórica. Portanto, os feminicídios ficaram entre as modalidades de violência letal que cresceram no período. Além disso, o Anuário registrou 4.189 tentativas de feminicídio em 2025, alta de 5,9%. Entre os estados que forneceram os dados, 70 mulheres foram mortas mesmo com medida protetiva de urgência ativa. O país também teve 132.025 casos de descumprimento dessas medidas, aumento de 16,7%. Mulheres negras representaram 65,1% das vítimas, e 56,5% tinham entre 25 e 44 anos. Em 62,5% dos casos, o crime ocorreu dentro da residência. Quando a autoria foi identificada, 96,4% dos autores eram homens; 60,9% eram parceiros íntimos e 18,9%, ex-parceiros.
Brasil segue na rabeira do mundo, mostra o FMI

BRASIL, 15 de outubro de 2026 — O Brasil deve crescer 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027, ficando atrás de economias emergentes, segundo o FMI. A produção global deve aumentar 3,1% e 3,4% nesses anos, com destaque para a Índia, que lidera com 7%. A economia brasileira enfrenta desafios devido a condições monetárias restritivas, redução de estímulo fiscal e incerteza global. Juros altos dificultam investimentos, limitando o crescimento. Na América Latina, apenas o México apresenta desempenho semelhante ao do Brasil. Com crescimento estimado em 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027, o Brasil continua avançando na rabeira do mundo e muito atrás das economias emergentes e em desenvolvimento, pelas contas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo a instituição, a produção global deve aumentar 3,1% neste ano e 3,4%. O mundo emergente e em desenvolvimento deve avançar 3,7% e 4,4% nesses dois anos. Na América Latina e no Caribe, a sequência deve ser de 2,3% e 2,5%. O Brasil será superado tanto por países do mundo pobre quanto do mundo rico, de acordo com as projeções do fundo. A produção dos Estados Unidos aumentará 2,3% em cada um desses anos, segundo a estimativa. Para os países emergentes e em desenvolvimento, as expectativas são de 3,7% em 2026 e 4,4% em 2027. A Índia manterá a liderança global, com taxa de 7% em cada um dos dois períodos. O desempenho chinês ficará em 4,5% e 4%, ainda bem superior à média global. O desempenho brasileiro refletirá, de acordo com a análise apresentada, as condições monetárias “ainda restritivas”, a redução do estímulo fiscal e a incerteza global. Não há referência, no texto do FMI, à tensão entre a Presidência da República e a direção do Banco Central (BC), nem à resistência do chefe do governo ao esforço de austeridade proposto, cautelosamente, pela área financeira do Executivo. Na América Latina, só uma grande economia, a mexicana, tem seguido aos tropeços como a brasileira. Pelos cálculos do fundo, o crescimento mexicano deve passar de 1,5% neste ano para 1,8% em 2027. A expansão da economia brasileira continua limitada, como tem sido há anos, pelo escasso investimento em meios de produção. As explicações são encontráveis na política econômica de curto alcance, nos juros predominantemente elevados e na insegurança quanto às perspectivas da economia nacional. Juros altos, um remédio usado normalmente pelo BC para prevenir ou frear a inflação, dificultam e desestimulam o investimento privado em bens necessários à expansão da capacidade produtiva e à aceleração do crescimento.
PL lidera número de deputados mais votados em 11 estados do país

BRASÍLIA, 06 de outubro de 2026 — O PL, de Flávio Bolsonaro, elegeu a maior bancada de deputados federais. Além disso, teve os candidatos mais votados em 11 estados. Segundo levantamento do portal Metrópoles, o PL liderou a votação nas cinco regiões do país. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o mais votado do Brasil, com mais de 3,1 milhões de votos. Em segundo lugar ficou Lucas Pavanato (PL), com 3 milhões. Outros dois nomes do PL vieram depois. A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, ficou em segundo lugar. Cada legenda elegeu quatro deputados que lideraram a votação em seus estados. No total, o PL teve os mais votados em três estados do Norte e três do Sudeste. Também liderou em dois estados do Nordeste, dois do Sul e um do Centro-Oeste. Por outro lado, o PT elegeu apenas dois líderes de votação: Camila Jara, em Mato Grosso do Sul, e Natália Bonavides, no Rio Grande do Norte. PSol, PSB, PSD, Novo, Avante e Republicanos tiveram um nome cada um.
China impõe tarifa de 55% contra carne bovina brasileira

MUNDO, 1º de outubro de 2026 — A China começou a aplicar uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina do Brasil. A medida foi imposta após o país sul-americano esgotar a cota de vendas sem sobretaxa prevista para o ano de 2026. Segundo o Ministério do Comércio de Pequim, o Brasil atingiu 100% do volume autorizado em 29 de setembro. O percentual de 55% se soma à alíquota aduaneira de 12% já incidente sobre a carne bovina do Brasil. Essa ação faz parte de um pacote de medidas da China para proteger seu mercado interno. O país asiático é o maior comprador mundial de carne bovina brasileira. A cota de vendas para a China sem a aplicação de sobretaxa, prevista para 2026, foi de 1,106 milhão de toneladas. Esse volume, que o Brasil já ultrapassou, está programado para subir para 1,128 milhão de toneladas em 2027. A imposição da nova tarifa pode impactar significativamente as exportações brasileiras do setor, gerando preocupações para os produtores nacionais.
Brasil tem 19 milhões de nanoempreendedores, diz estudo

BRASIL, 09 de setembro de 2026 — O Brasil possui 19 milhões de nanoempreendedores. É o que aponta um estudo encomendado pela Natura e feito pelo economista Fernando Blumenschein. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo. Essa categoria foi criada pela reforma tributária. Ela reúne trabalhadores de pequena escala, que muitas vezes buscam complementar a renda. Para ser nanoempreendedor, a receita bruta anual deve ser inferior a R$ 40,5 mil. Esse valor é metade do limite do MEI. Motoristas e entregadores de aplicativo têm um teto maior: R$ 162 mil por ano. Diferente do MEI, o nanoempreendedor não precisa de CNPJ nem emite documentos fiscais. Por isso, ele fica isento do IBS e da CBS, novos tributos que valerão a partir de 2027. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS já confirmaram essa dispensa. Dos 19 milhões, 15,5 milhões trabalham por conta própria sem CNPJ. Isso representa 60% dos informais do país. Os outros 3,5 milhões têm cadastro. O perfil desses trabalhadores é de menor renda e escolaridade. Cerca de 81,5% ganham até dois salários mínimos. Além disso, 31,5% não completaram o ensino fundamental. O estudo destaca que a venda direta pode envolver 5,3 milhões de mulheres nesse grupo. Há também desigualdade regional. No Norte, 93% dos nanoempreendedores não têm CNPJ. No Nordeste, são 89,8%. São Paulo tem o maior número absoluto: 3,9 milhões, sendo 2,8 milhões sem formalização. A burocracia seria um custo alto para quem movimenta pouco dinheiro. Por isso, a categoria busca inclusão social e produtiva. A presidente da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas, Adriana Colloca, reforça que esse perfil é diferente do MEI e deve ser considerado na regulamentação da reforma.
Brasil registra rombo de US$ 8,1 bi nas contas externas em julho

BRASÍLIA, 27 de agosto de 2026 — O Banco Central divulgou nesta quinta (27) que o Brasil fechou julho de 2026 com déficit de US$ 8,1 bilhões nas contas externas. Tal valor é superior ao registrado em julho de 2025, quando o saldo negativo foi de US$ 6,9 bilhões. O resultado reflete o balanço entre exportações, importações, serviços, despesas de brasileiros no exterior e remessas de lucros. No acumulado de 12 meses até julho, o déficit em transações correntes alcançou US$ 62,9 bilhões, o que representa 2,49% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar do saldo negativo, a balança comercial de bens apresentou superávit de US$ 6,2 bilhões no mês, impulsionada por exportações de US$ 34,2 bilhões (alta de 5,7% em relação ao ano anterior) e importações de US$ 28,1 bilhões (crescimento de 8,1%). O déficit na conta de serviços chegou a US$ 5,3 bilhões em julho, com destaque para os aumentos nas despesas líquidas de transporte (26,3%), telecomunicação, computação e informações (27,6%) e propriedade intelectual (27,4%). Gastos de brasileiros em viagens internacionais somaram US$ 1,6 bilhão, 7,9% acima do registrado em julho de 2025.Renda primária e investimentos diretos no Brasil A autoridade monetária também mostrou déficit em renda primária de US$ 9,4 bilhões no mês. As despesas líquidas com lucros e dividendos de investimentos direto e em carteira atingiram US$ 4,8 bilhões, mesmo valor de julho do ano anterior. Já os gastos líquidos com juros totalizaram US$ 4,6 bilhões, uma elevação de 10,4% no período. No mesmo mês, os investimentos diretos no país chegaram a US$ 7,5 bilhões, abaixo dos US$ 8,4 bilhões registrados em julho de 2025. Destes, US$ 7,2 bilhões vieram de participação no capital, sendo US$ 2,7 bilhões exceto lucros reinvestidos, US$ 4,5 bilhões de lucros reinvestidos e US$ 300 milhões de operações intercompanhia. Nos 12 meses até julho, o investimento direto somou US$ 88,4 bilhões, equivalente a 3,5% do PIB, contra US$ 89,3 bilhões (3,58% do PIB) no mês anterior e US$ 68,3 bilhões (3,16% do PIB) em julho de 2025. Os investimentos em carteira registraram ingressos líquidos de US$ 1,1 bilhão no mês. MERCADO FINANCEIRO E RESERVAS INTERNACIONAIS No período, os investimentos em ações e fundos no mercado interno tiveram fluxo positivo de US$ 1,9 bilhão, enquanto os títulos domésticos apresentaram saída líquida de US$ 700 milhões. No acumulado de 12 meses, ingressos líquidos em carteira totalizaram US$ 19,1 bilhões. As reservas internacionais do Brasil alcançaram US$ 369,7 bilhões em julho, com crescimento de US$ 2,2 bilhões em relação a junho. Esse aumento teve influência do retorno líquido em operações de linha com recompra (US$ 2,1 bilhões), variações por paridades (US$ 1,0 bilhão) e receitas de juros (US$ 900 milhões). Já as variações por preço reduziram o estoque em US$ 1,6 bilhão.
Brasil tem 6,3 mil empresas em recuperação judicial

MARANHÃO, 26 de agosto de 2026 — O Brasil terminou o primeiro semestre de 2026 com 6.341 empresas em recuperação judicial ativa, segundo o Monitor RGF-BizDoc. O levantamento, elaborado pelas consultorias RGF e BizDoc com dados da Receita Federal e dos Tribunais de Justiça, mostra crescimento de 6,2% no número de empresas em recuperação em relação ao fim de 2025. O avanço foi mais expressivo entre as empresas de menor porte. Entre o primeiro trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2026, o número de microempresas em recuperação judicial cresceu 133%. Entre as pequenas empresas, a alta foi de 69%. Nas médias, o crescimento chegou a 31%. Entre as microempresas, a proporção passou de 0,03 para 0,07 empresa em recuperação judicial a cada mil negócios. No grupo das pequenas, o índice subiu de 0,52 para 0,87 por mil. As grandes companhias ainda apresentam índices proporcionalmente maiores de recuperação judicial. Segundo o levantamento, porém, essas empresas também recorrem a outros mecanismos de reestruturação, como negociações diretas e recuperações extrajudiciais. COMÉRCIO CONTRA MAIOR NÚMERO DE EMPRESAS O comércio tinha o maior estoque de empresas em recuperação judicial no fim do segundo trimestre, com 1.649 casos. A indústria aparecia na sequência, com 1.455 empresas, enquanto o agronegócio registrava 1.263. O agronegócio também foi o setor que mais acrescentou novos casos durante o segundo trimestre, com 111 entradas. O levantamento ocorre em um cenário de crédito mais caro e juros elevados. Esses fatores podem aumentar a pressão sobre empresas endividadas, mas os dados não atribuem o crescimento das recuperações judiciais a uma única causa. Questões relacionadas à estrutura financeira dos negócios também podem contribuir para dificuldades de pagamento, como endividamento elevado, margens reduzidas, despesas incompatíveis com a geração de caixa e crescimento financiado por dívida. O Monitor RGF-BizDoc mostra ainda uma mudança no perfil das empresas que recorrem à recuperação judicial. Embora as grandes companhias continuem representando uma parcela relevante dos processos, pequenas e microempresas registraram os maiores índices de crescimento desde 2023.

