
BRASIL, 09 de setembro de 2026 — O Brasil possui 19 milhões de nanoempreendedores. É o que aponta um estudo encomendado pela Natura e feito pelo economista Fernando Blumenschein. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo.
Essa categoria foi criada pela reforma tributária. Ela reúne trabalhadores de pequena escala, que muitas vezes buscam complementar a renda. Para ser nanoempreendedor, a receita bruta anual deve ser inferior a R$ 40,5 mil. Esse valor é metade do limite do MEI. Motoristas e entregadores de aplicativo têm um teto maior: R$ 162 mil por ano.
Diferente do MEI, o nanoempreendedor não precisa de CNPJ nem emite documentos fiscais. Por isso, ele fica isento do IBS e da CBS, novos tributos que valerão a partir de 2027. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS já confirmaram essa dispensa.
Dos 19 milhões, 15,5 milhões trabalham por conta própria sem CNPJ. Isso representa 60% dos informais do país. Os outros 3,5 milhões têm cadastro.
O perfil desses trabalhadores é de menor renda e escolaridade. Cerca de 81,5% ganham até dois salários mínimos. Além disso, 31,5% não completaram o ensino fundamental. O estudo destaca que a venda direta pode envolver 5,3 milhões de mulheres nesse grupo.
Há também desigualdade regional. No Norte, 93% dos nanoempreendedores não têm CNPJ. No Nordeste, são 89,8%. São Paulo tem o maior número absoluto: 3,9 milhões, sendo 2,8 milhões sem formalização.
A burocracia seria um custo alto para quem movimenta pouco dinheiro. Por isso, a categoria busca inclusão social e produtiva. A presidente da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas, Adriana Colloca, reforça que esse perfil é diferente do MEI e deve ser considerado na regulamentação da reforma.







