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Servidores acusam cúpula da Câmara Federal de espionagem

Andre Reis
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Servidores dizem que diretores usaram dados internos para retaliar quem denunciou pagamentos suspeitos de horas extras. Pedem afastamento dos gestores.

BRASÍLIA, 24 de junho de 2026  Servidores da Câmara dos Deputados acusaram três altos gestores da Casa de usar a máquina pública para espionar funcionários. A denúncia foi enviada ao Tribunal de Contas da União (TCU). Os acusados são o diretor-geral Guilherme Barbosa Brandão, o diretor de TI Sebastião Neiva Filho e o advogado-adjunto Daniel Borges de Morais.

Segundo os denunciantes, o monitoramento foi uma retaliação contra um grupo que revelou pagamentos milionários de horas extras a membros do alto escalão.

A perseguição teria começado no dia 22 de maio. Naquela data, a comissão disciplinar pediu para identificar quem acessou um processo sobre uma viagem do diretor-geral a Lisboa. O problema é que essas informações já estavam disponíveis no Portal da Transparência desde 19 de maio.

Três dias depois, o diretor de TI mandou rastrear 71 processos do diretor-geral abertos em 2025. Essa operação gerou 814 páginas de registros e atingiu 93 pessoas, inclusive os próprios denunciantes e auditores de recursos humanos.

Os denunciantes afirmam que a medida foi um abuso de autoridade. Eles dizem que os gestores usaram o poder hierárquico para atrapalhar a investigação sobre as horas extras.

A representação no TCU aponta violação da Lei 3.608/2018 e de normas de proteção do tribunal. Essas regras proíbem represálias contra quem denuncia irregularidades de boa-fé. Por isso, os servidores pedem a suspensão do processo disciplinar interno e o afastamento cautelar dos três diretores.

Em nota, a Câmara dos Deputados negou as acusações. A Casa defendeu que a apuração de infrações é um dever legal, previsto na Lei nº 8.112/1990. Sobre o rastreamento, a Câmara argumentou que os metadados de sistemas corporativos são propriedade da instituição e servem como registros de segurança.

O órgão informou ainda que os procedimentos são sigilosos e que não foi notificado pelo TCU até agora. A Câmara também disse que a investigação interna sobre as horas extras não encontrou indícios de irregularidade.

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