
BRASÍLIA, 24 de junho de 2026 — Servidores da Câmara dos Deputados acusaram três altos gestores da Casa de usar a máquina pública para espionar funcionários. A denúncia foi enviada ao Tribunal de Contas da União (TCU). Os acusados são o diretor-geral Guilherme Barbosa Brandão, o diretor de TI Sebastião Neiva Filho e o advogado-adjunto Daniel Borges de Morais.
Segundo os denunciantes, o monitoramento foi uma retaliação contra um grupo que revelou pagamentos milionários de horas extras a membros do alto escalão.
A perseguição teria começado no dia 22 de maio. Naquela data, a comissão disciplinar pediu para identificar quem acessou um processo sobre uma viagem do diretor-geral a Lisboa. O problema é que essas informações já estavam disponíveis no Portal da Transparência desde 19 de maio.
Três dias depois, o diretor de TI mandou rastrear 71 processos do diretor-geral abertos em 2025. Essa operação gerou 814 páginas de registros e atingiu 93 pessoas, inclusive os próprios denunciantes e auditores de recursos humanos.
Os denunciantes afirmam que a medida foi um abuso de autoridade. Eles dizem que os gestores usaram o poder hierárquico para atrapalhar a investigação sobre as horas extras.
A representação no TCU aponta violação da Lei 3.608/2018 e de normas de proteção do tribunal. Essas regras proíbem represálias contra quem denuncia irregularidades de boa-fé. Por isso, os servidores pedem a suspensão do processo disciplinar interno e o afastamento cautelar dos três diretores.
Em nota, a Câmara dos Deputados negou as acusações. A Casa defendeu que a apuração de infrações é um dever legal, previsto na Lei nº 8.112/1990. Sobre o rastreamento, a Câmara argumentou que os metadados de sistemas corporativos são propriedade da instituição e servem como registros de segurança.
O órgão informou ainda que os procedimentos são sigilosos e que não foi notificado pelo TCU até agora. A Câmara também disse que a investigação interna sobre as horas extras não encontrou indícios de irregularidade.







