
BRASÍLIA, 29 de setembro de 2026 — Romeu Zema decidiu manter sua candidatura à Presidência da República até o fim do primeiro turno, apesar da pressão de lideranças do Novo e do Partido Liberal (PL) por uma aliança imediata com Flávio Bolsonaro.
O ex-governador mineiro conversará com a alta cúpula do Novo ainda nesta terça (29), para comunicar a decisão. Zema e o candidato a vice-presidente na chapa, senador Eduardo Girão, devem argumentar que a permanência na disputa até 4 de outubro é a atitude mais correta com os eleitores que escolheram a candidatura do partido.
Encerrado o primeiro turno, o plano é outro. Zema pretende declarar apoio a Flávio já no dia seguinte à votação e se colocar à disposição para participar da campanha do Zero Um.
A estratégia é similar à adotada em 2022. Naquele ano, depois de ser reeleito governador no primeiro turno, Zema declarou apoio a Jair Bolsonaro na disputa contra Lula e participou da campanha do então presidente em Minas Gerais.
Entre lideranças do Novo e candidatos do partido à Câmara e ao Senado, há quem defenda uma estratégia diferente. A maioria avalia que uma aliança de Zema com uma candidatura presidencial mais competitiva já no primeiro turno poderia favorecer o desempenho da legenda nas eleições para o Congresso.
A disputa pelas vagas na Câmara é importante para o Novo, que atualmente reúne cinco deputados federais. Para superar a cláusula de desempenho em 2026, a legenda precisa eleger pelo menos 13 deputados, distribuídos por nove Estados, ou obter 2,5% dos votos válidos para a Câmara em todo o país, com ao menos 1,5% em nove Estados.
O cumprimento de um desses critérios garante acesso aos recursos do Fundo Partidário e à propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão.
O grupo que defende a aliança com Flávio também está preocupado com o resultado eleitoral de Zema. Integrantes do partido avaliam que chegar às urnas com uma votação baixa poderia enfraquecer politicamente o ex-governador depois da eleição. O exemplo mais citado é o do atual vice-presidente Geraldo Alckmin, hoje aliado de Lula.
Em 2018, quando concorreu à Presidência pelo PSDB, Alckmin terminou o primeiro turno em quarto lugar, com pouco mais de 5 milhões de votos, o equivalente a 4,75% dos votos válidos.
As pesquisas da reta final reforçaram essa preocupação. No levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado nesta terça (29), Zema aparece com 1,3% das intenções de voto. Lula registra 45,3%, e Flávio, 42,2%.
A pesquisa ouviu 5 mil eleitores de 23 a 28 de setembro e tem margem de erro de 1 ponto porcentual.







