
SÃO LUÍS, 03 de maio de 2026 — A proposta da Resex Tauá-Mirim provocou reação de entidades industriais que enviaram ofício ao ICMBio em São Luís, no Maranhão. FIEMA e CIEMA se posicionaram contra a medida, alegando impactos econômicos e logísticos.
Segundo elas, a criação da reserva pode afetar atividades no Complexo Portuário do Itaqui e comprometer operações estratégicas devido a restrições previstas.
Além disso, as entidades informaram que a área da Resex Tauá-Mirim se sobrepõe a partes do Distrito Industrial de São Luís. O local possui classificação de vocação industrial no Plano Diretor. Por isso, o setor avalia que a proposta interfere no planejamento urbano definido após debates públicos realizados ao longo dos anos.
Segundo o documento, mesmo áreas próximas à Resex Tauá-Mirim podem sofrer efeitos indiretos. Entre eles, aparecem possíveis restrições a atividades industriais e portuárias.
Inclusive, o setor cita aumento da burocracia em licenciamentos ambientais. Também aponta maior insegurança jurídica para empreendimentos existentes ou novos projetos.
As entidades destacaram ainda riscos relacionados à redução de investimentos. Segundo o posicionamento, empresas podem buscar regiões com menor complexidade regulatória. Dessa forma, isso poderia resultar em perda de empregos e queda na arrecadação pública, caso o ambiente de negócios seja afetado pela implementação da reserva.
Outro ponto apresentado envolve dados do IMESC sobre investimentos previstos. O estudo indica cerca de R$ 3,99 bilhões destinados ao Distrito Industrial e ao Complexo Portuário. Considerando aportes adicionais, o impacto pode superar R$ 26,8 bilhões em valor bruto de produção, além de cerca de 269 mil ocupações ligadas às atividades.
De acordo com o ofício, esses números representam possíveis perdas associadas à Resex Tauá-Mirim. As entidades argumentam que projetos em andamento ou planejados podem ser inviabilizados. Por isso, solicitaram ao ICMBio estudos mais detalhados sobre impactos socioeconômicos relacionados à proposta.
Na oportunidade, FIEMA e CIEMA pediram maior diálogo com o setor produtivo e comunidades locais. Segundo o documento, também é necessário avaliar alternativas que conciliem preservação ambiental com atividades industriais e logísticas consideradas estratégicas para o estado.
Por fim, a proposta da Resex Tauá-Mirim busca proteger comunidades tradicionais e ecossistemas, como manguezais. No entanto, o tema segue em debate devido às divergências entre interesses ambientais e econômicos na região, conforme apresentado pelas entidades no posicionamento oficial.







