Relatório da PF menciona Weverton Rocha no caso Master

Andre Reis
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Weverton Rocha
Relatórios liberados pelo STF citam Weverton Rocha em comparação feita pela PF entre investigações sobre fraudes no INSS e interesses ligados ao Banco Master.

BRASÍLIA, 11 de setembro de 2026 — O senador maranhense Weverton Rocha (PDT) aparece em documentos tornados públicos nesta sexta (11), após o ministro André Mendonça, do STF, retirar sigilos na noite de quinta (10).

A liberação ocorreu a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, e expôs comparações feitas pela Polícia Federal entre investigações distintas.

Mendonça retirou o sigilo da Petição 15.556, que originou a investigação no Supremo, e de outros 14 procedimentos relacionados ao caso Banco Master. No entanto, continuam protegidos documentos ligados a diligências cuja confidencialidade seja considerada necessária para evitar prejuízos ao andamento das apurações.

O nome do senador aparece em um relatório de inteligência da Polícia Federal que examina a condução de diferentes investigações por André Mendonça. Nesse documento, os investigadores comparam o tratamento dado ao caso de Weverton Rocha com o procedimento envolvendo Ciro Nogueira (PP-PI).

A investigação sobre o parlamentar maranhense trata das fraudes envolvendo descontos de aposentados e pensionistas do INSS. Já Ciro Nogueira é investigado por suposta atuação em favor de interesses do Banco Master. Segundo a PF, os dois procedimentos teriam recebido níveis diferentes de exigência probatória.

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O relatório aponta uma “variação relevante no patamar de exigência probatória” em um intervalo pouco superior a cinco meses. De acordo com a avaliação registrada pela Polícia Federal, Mendonça teria adotado um padrão mais rigoroso no requerimento relacionado ao senador maranhense.

No procedimento envolvendo o senador, a Polícia Federal chegou a pedir sua prisão. A representação o colocava em posição de liderança na suposta organização criminosa, mas registrava a ausência de ato de ofício, valor financeiro rastreado diretamente até ele ou diálogo no qual aparecesse como interlocutor.

André Mendonça reconheceu a existência de “fortes indícios”, porém negou o pedido de prisão. A apuração tramita na Petição 16.435 e está ligada à Operação Sem Desconto. Em decisão já conhecida, a PF aponta suspeitos de participação em supostos atos de lavagem de dinheiro dos quais o senador seria beneficiário.

A investigação começou a partir de elementos encontrados em um aparelho celular atribuído ao parlamentar. Posteriormente, essas informações foram confrontadas com dados produzidos na apuração sobre as fraudes do INSS. Entre os alvos relacionados ao núcleo estão o advogado Willer Tomaz de Souza, seu escritório e outras pessoas físicas.

ELEMENTOS DO CASO CIRO NOGUEIRA

A comparação com outro procedimento é o motivo pelo qual Weverton Rocha aparece no conjunto de documentos que ganhou repercussão com o caso Master. Segundo a Polícia Federal, a investigação sobre Ciro Nogueira reúne elementos considerados mais robustos sobre possível atuação parlamentar favorável aos interesses de Daniel Vorcaro.

Vorcaro era controlador do Banco Master no período citado pela investigação. Entre os elementos mencionados pela PF está a chamada “emenda Master”. Conforme a apuração, uma proposta de interesse da instituição financeira teria sido produzida a partir de interesses do banco e encaminhada à residência de Ciro Nogueira.

Ainda segundo a investigação, a proposta teria sido posteriormente reproduzida no Senado. Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro também indicariam comemoração pela apresentação do texto.

Para a Polícia Federal, a comparação entre os casos apontaria diferença no nível de exigência imposto pelo relator para permitir o avanço das investigações.

RELATÓRIOS NÃO TÊM VALOR PROBATÓRIO

Os relatórios de inteligência, contudo, não têm caráter decisório nem valor probatório por si mesmos. O próprio André Mendonça já questionou a legitimidade de um dos documentos, classificando-o como apócrifo. Ele também destacou que o próprio material reconhece que suas inferências não possuem valor probatório.

Apesar da citação nos documentos relacionados ao Banco Master, os materiais públicos não indicam que Weverton Rocha seja investigado por participação no esquema atribuído ao banco ou a Daniel Vorcaro.

A investigação diretamente ligada ao senador permanece vinculada à Operação Sem Desconto e às suspeitas de lavagem decorrentes dos descontos irregulares do INSS.

A presença do senador no material divulgado decorre, portanto, do uso de sua investigação como parâmetro de comparação com decisões tomadas por André Mendonça no caso de Ciro Nogueira. Assim, a referência ao parlamentar maranhense surge no contexto da análise feita pela Polícia Federal sobre o padrão adotado nos dois procedimentos.

A divulgação ocorre em meio a uma crise interna no Supremo. Fachin pediu a retirada do sigilo dos procedimentos relacionados ao Master, com preservação apenas das diligências que ainda dependam de confidencialidade.

O material deverá subsidiar a sessão extraordinária do STF marcada para a próxima terça (15).

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