
BRASIL, 27 de junho de 2026 — Treze anos depois dos protestos de junho de 2013, o Brasil volta a conviver com escândalos de grande impacto, mas sem a mesma capacidade de produzir uma mobilização nacional a partir da indignação.
A fraude bilionária no INSS e o caso Banco Master, além da própria deterioração da confiança nas instituições de controle da corrupção, recolocaram o assunto no debate público. Ainda assim, a corrupção já não aparece com a mesma força nas ruas nem no topo das prioridades declaradas pelo eleitor.
Em março, pesquisa Datafolha mostrou que 9% dos brasileiros apontavam corrupção, roubalheira ou desonestidade como principal problema do país, atrás de segurança e saúde e até mesmo de tópicos como economia, inflação e aumento do preço da cesta básica.
O número não significa que a sociedade tenha deixado de se incomodar com desvios de dinheiro público, já que temas como saúde e segurança são tradicionalmente relevantes nessas pesquisas.
Contudo, traduz em dados uma mudança que é perceptível no ambiente político: a corrupção ainda gera indignação, mas já não produz mobilização de massa na mesma escala da década passada.
Para cientistas políticos ouvidos pela Gazeta do Povo, a perda de força da pauta anticorrupção não decorre do desaparecimento da aversão à corrupção, mas de uma combinação de decepção com a política, frustração com as reversões judiciais, polarização e sensação de impotência.
A energia de 2013 foi canalizada por anos em protestos de rua, no impeachment de Dilma Rousseff, na Lava Jato e na eleição de Jair Bolsonaro, mas acabou sofrendo um choque com a anulação de condenações, a volta de Lula ao poder e a percepção de que o sistema político conseguiu neutralizar boa parte da pressão popular.
“O problema é que o sentimento mais forte no Brasil hoje é o de impotência”, afirma o cientista político Christian Lohbauer, um dos fundadores do Partido Novo. “Quando você tenta fazer uma manifestação de rua hoje, não chega a um décimo do que se levava lá atrás.”
Na avaliação dele, a sociedade não deixou de se indignar com a corrupção. O que mudou foi a expectativa de eficácia da mobilização.
“Todo mundo parou suas vidas, dedicou energias e se mobilizou para derrubar um governo incompetente e corrupto, que era o de Dilma Rousseff. Depois de tudo o que aconteceu – incluindo a Lava Jato, que se transformou em uma esperança de lavar a roupa suja do país e elevar as instituições a outro patamar –, nós voltamos exatamente à situação em que estávamos”, diz.
Lohbauer afirma que o retorno de Lula ao poder teve efeito simbólico decisivo sobre essa disposição de ir às ruas. O petista ficou preso em Curitiba após condenações na Lava Jato, foi solto em 2019 e teve suas condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021.
“Os poderosos de hoje são aqueles que haviam sido presos e condenados por todas as instâncias da Justiça. O cidadão olha para tudo isso e se pergunta: ‘O que mais eu posso fazer?’. É um esgotamento, um sentimento de falência após uma luta intensa”, afirma.







