
BRASIL, 27 de julho de 2026 — O governo federal lançou ou ampliou programas e medidas financeiras que somam R$ 256,9 bilhões em 2026. Esse é um ano de eleições gerais. As iniciativas incluem subsídios para combustíveis, apoio a exportadores e ampliação de programas sociais, como o Gás do Povo.
Entre as medidas estão R$ 16 bilhões para conter a alta dos combustíveis por causa do conflito no Oriente Médio. Há também R$ 15 bilhões em apoio a empresas afetadas pelas tarifas dos Estados Unidos. A ampliação da isenção do Imposto de Renda custa R$ 31 bilhões.
O programa Move Motoristas tem R$ 30 bilhões para taxistas e motoristas de aplicativos.
O governo afirma que as medidas estimulam a economia sem comprometer as metas fiscais. Porém, grande parte dessas iniciativas é classificada como despesa financeira ou extraorçamentária. Por isso, elas não entram no limite de gastos do arcabouço fiscal nem no cálculo do resultado primário.
Especialistas questionam essa prática. O diretor da Instituição Fiscal Independente do Senado, Marcus Pestana, afirma que esse modelo reduz a transparência. Ele diz que investidores que compram títulos públicos consideram essas despesas, porque elas impactam a dívida.
Pestana explica que muitos economistas defendem que esses recursos deveriam voltar ao Tesouro e sair como despesa primária. Ele afirma que não existe gasto público extraorçamentário.
Um exemplo é o Desenrola 2.0, que usa recursos do Sistema de Valores a Receber. Como o dinheiro não sai diretamente do Tesouro, a operação não é registrada como despesa primária.
O Ministério do Planejamento e Orçamento defende as medidas. A pasta afirma que elas têm base legal e estão previstas no Orçamento. O ministério diz ainda que as operações são contabilizadas, auditáveis e disponíveis ao público.
O governo também argumenta que as medidas impulsionam a economia. Um estudo técnico estima que algumas iniciativas podem acrescentar R$ 110 bilhões ao Produto Interno Bruto. Isso traria reflexos positivos sobre emprego, renda e arrecadação.







