
BRASÍLIA, 24 de setembro de 2026 — O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com apoio da Polícia Federal, realizou nesta quinta (24) uma operação contra o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF).
A operação foi determinada pelo corregedor do CNJ, ministro Benedito Gonçalves. Foram cumpridas medidas no gabinete do desembargador do TRF-1. O disco rígido do computador de Ramos foi copiado.
O desembargador, que não estava no gabinete no momento da operação, não foi afastado do cargo. Ele mantém acesso ao sistema eletrônico de processos do tribunal.
Investigações da PF apontam que o escritório de advocacia da esposa de Newton Ramos, Camilla Ramos, firmou contratos de honorários relacionados a causas de interesse de empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
Um contrato encontrado em celular de Vorcaro indica pagamentos de até R$ 427 milhões ao escritório de Camilla.
A ação desta quinta, chamada de correição extraordinária, é um procedimento de fiscalização e auditoria.
Trata-se de um desdobramento da apuração aberta pela Corregedoria do CNJ sobre os processos do desembargador que envolvem precatórios do setor sucroalcooleiro.
TURMA DO KN
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Em mensagens encontradas pelos investigadores, o desembargador Newton Ramos e sua esposa eram chamados por funcionários e interlocutores de Daniel Vorcaro pelo codinome “turma do KN”.
Segundo a Polícia Federal, as iniciais “KN” fazem referência direta ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos indicam uma relação de intimidade entre o grupo “turma do KN” e Vorcaro.
As apurações também apontam conexões sociais de proximidade, incluindo deslocamentos em jatos particulares.
Antes de ser desembargador, Newton Ramos foi juiz auxiliar de Kassio Nunes Marques, quando o agora ministro do STF era vice-presidente do TRF-1, de 2018 a 2020.
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NOTA
Leia a íntegra da nota divulgada pelo desembargador Newton Ramos:
Nota de Esclarecimento
O Desembargador Newton Ramos esclarece que a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça realizou uma correição extraordinária em seu gabinete com o objetivo de levantar informações em processos que envolvem o setor sucroalcooleiro.
O magistrado ressalta que permanece no pleno exercício de sua jurisdição, atuando e julgando normalmente os demais processos sob sua responsabilidade. O Desembargador confia no trabalho desempenhado pela Corregedoria do CNJ, o qual considera natural e regular.
Por fim, reafirma que está à inteira disposição do órgão para prestar todos os esclarecimentos necessários e sanar eventuais dúvidas sobre os casos em análise.







