
SÃO LUÍS, 21 de abril de 2026 — O procurador do município de São Luís, Daniel de Faria Jerônimo Leite, contratou um empréstimo de R$ 93,7 milhões para investir no BRB, em abril de 2025. A operação financiou a aquisição de participação acionária por meio de fundo ligado a investidores.
Documentos apresentados pelo banco em ação judicial indicam que a transação fez parte de um conjunto de movimentos para alterar o controle da instituição.
A investigação técnica conduzida pela Kroll, empresa contratada pelo banco, aponta que o procurador teria atuado como intermediário em nome de outros investidores. Segundo o levantamento, o grupo organizou compras pulverizadas de ações com o objetivo de viabilizar negociações envolvendo carteiras de crédito problemáticas ou inexistentes.
De acordo com informações divulgadas, os aportes no BRB ocorreram em duas fases, denominadas ACP 1 e ACP 2, entre 2024 e 2025. Na primeira etapa, investidores que já possuíam participação adquiriram novas cotas. Em seguida, esses ativos foram transferidos para fundos ligados aos investigados, como o Verbier e o Borneo.
Na fase seguinte, esses fundos ampliaram a presença no capital do BRB com apoio de estruturas associadas ao chamado “ecossistema” do Banco Master. Dessa forma, o arranjo permitiu a continuidade das aquisições por meio de diferentes veículos financeiros, mantendo a estratégia de expansão da participação acionária.
A investigação também mostra que o procurador formalizou o empréstimo com taxa equivalente a 140% do CDI. O valor foi direcionado à compra de cotas de um fundo que havia adquirido ativos do Verbier. Em dezembro de 2025, ele registrava cerca de 2,2% das ações do BRB.
O banco sustenta, na ação em tramitação no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, que o procurador não possuía capacidade financeira compatível com a operação. Segundo o BRB, ele declarou ao Banco Central renda mensal de R$ 35 mil e patrimônio aproximado de R$ 6 milhões.
Em fevereiro, a Justiça determinou o bloqueio das ações vinculadas aos investigados. A medida atingiu os papéis atribuídos ao procurador, que somavam mais de 10 milhões entre ações ordinárias e preferenciais. Na ocasião, o conjunto era avaliado em cerca de R$ 50 milhões.
DEFESA E JUSTIFICATIVA DO INVESTIMENTO
Na defesa apresentada no processo, o procurador contestou os dados financeiros. Ele afirmou possuir renda mensal de R$ 579 mil e patrimônio de R$ 75 milhões. Além disso, declarou atuar como proprietário rural, conselheiro federal da OAB e sócio-fundador de escritório de advocacia.
O procurador também informou ter ocupado cargos públicos no Maranhão, incluindo funções na Prefeitura de São Luís, no Tribunal de Justiça estadual e no Tribunal Regional Eleitoral. Ele justificou o investimento no BRB com a expectativa de retorno superior a 20%, estimando ganho de cerca de R$ 20 milhões.
Para viabilizar a operação, ele recorreu a crédito obtido junto à empresa Qista, ligada à Reag. Segundo a Kroll, o fluxo financeiro identificado aponta para uma dinâmica de circularidade de recursos, na qual o dinheiro retorna ao sistema por meio de aplicações, sem geração de valor econômico efetivo.







