
BRASIL, 11 de agosto de 2026 — A eleição de 2026 terá Lula e Flávio Bolsonaro como os dois polos da disputa nacional. Por isso, PT e PL montaram palanques próprios em vários estados. O PL tem candidatos ao governo em 14 estados. O PT tem em 12.
Quando não podem ter candidato próprio, os partidos buscam acordos com grupos locais. Esses acordos nem sempre seguem a aliança nacional.
A direita mostra mais esse movimento. O PL formou chapas completas em dez estados com governador e vice da mesma legenda. Em 2022, eram apenas três estados nessa situação.
Minas Gerais e Rio de Janeiro são exemplos importantes. O partido prefere manter a identidade com aliados de Jair Bolsonaro, mesmo quando podia fazer composições com outras forças.
Na esquerda, o PT tem candidatos próprios em 12 estados. Mas a legenda manteve uma rede de alianças em nove unidades da federação. Vai apoiar nomes do PSD, MDB, PP e União Brasil. Esses grupos devem dar sustentação regional para a campanha de Lula. Essa diferença explica por que a eleição de 2026 não repetiu as grandes coligações de 2022.
Lula tem uma aliança formal de sete partidos, mas não levou PSD e MDB para sua coligação presidencial.
Flávio Bolsonaro tem uma situação ainda mais restrita. PP e Republicanos estavam com Jair Bolsonaro em 2022, mas não vão repetir a composição nacional. O senador chega ao primeiro turno sem nenhum partido formalmente coligado à sua candidatura. As negociações, então, migraram para os estados.
O PT fechou apoios a cinco candidatos do PSD, dois do MDB, um do PP e um do União Brasil. No Rio, Eduardo Paes, do PSD, já declarou que vai trabalhar pela vitória de Lula.
O ministro José Guimarães, do PT, disse que os partidos de centro deram autonomia para suas estruturas estaduais. “Nós temos palanques bem estruturados no Sul, no Sudeste e principalmente no Nordeste”, afirmou. “Os partidos mais ao centro liberaram os diretórios locais. A preocupação deles é mais eleger deputados e senadores.”
O PL também fez acordos regionais para compensar a falta de coligação nacional. Conseguiu apoio para candidatos de outros partidos em 11 estados, principalmente de PP, União Brasil e Republicanos. Mas nem todos esses palanques vão apoiar Flávio no primeiro turno.
ACM Neto, na Bahia, Ciro Gomes, no Ceará, e Dr. Furlan, no Amapá, não vão apoiar o senador.
Em Pernambuco, o PL não fez acordo com Raquel Lyra, do PSD. Preferiu lançar Mendonça Filho ao Senado, sem candidato ao governo. Em Alagoas, a negociação com JHC, do PSDB, ainda não foi concluída.
Flávio, mesmo assim, disse em transmissão ao vivo que tem 22 palanques favoráveis nos estados. O número inclui lugares onde mais de um candidato pode apoiá-lo.
As convenções também mostraram dificuldades do PL para acomodar interesses da própria direita. Em quatro estados, haverá disputa direta entre candidatos ligados a PT e PL. Minas Gerais será um confronto importante. O PT escolheu Patrus Ananias. O PL lançou Flávio Roscoe, depois de esperar definição do senador Cleitinho, do Republicanos.
A indefinição entre PL e Republicanos também produziu confrontos em Mato Grosso e Roraima. No Maranhão, Flávio apoia Roberto Rocha, do PRTB, mas o PL não fará parte oficial da aliança.
A disputa pelo Senado amplia a importância dessas escolhas. A composição da próxima legislatura é estratégica para PT e PL. Isso porque podem haver novos enfrentamentos entre Congresso e Supremo Tribunal Federal, inclusive sobre pedidos de impeachment de ministros.
O PL colocou candidatos em 25 estados, com 33 nomes. Não lançou candidatura própria só no Amapá e em Alagoas. Neste último, Alfredo Gaspar desistiu do Senado para ser vice de Flávio. Em sete estados, o partido concorre às duas vagas.
O PT combinou candidaturas próprias com apoio a outros partidos. Serão 19 candidatos em 17 estados. Na Bahia, os nomes são Jaques Wagner e Rui Costa. No Paraná, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha.
No Nordeste, a base governista privilegia nomes de esquerda. Em Pernambuco, Humberto Costa e Marília Arraes estarão na chapa de João Campos, do PSB, ao governo. No Ceará, Cid Gomes e Luizianne Lins são os candidatos. Ela deixou o PT após 37 anos, foi para a Rede e recebeu o aval de Lula.
A polarização nacional comprimiu o espaço para candidaturas de centro. Desistiram da corrida ao Senado nomes como Álvaro Dias, Irajá Abreu, Nelsinho Trad e Aécio Neves. A organização das alianças mostra que a polarização não eliminou as negociações locais, mas mudou sua natureza. PT e PL não formaram grandes blocos nacionais como em 2022.
Em vez disso, combinaram palanques próprios com apoios estaduais. A disputa pelo Senado virou extensão da batalha pelo controle político do país.







