
BRASÍLIA, 30 de junho de 2026 — A Polícia Federal (PF) pediu mais tempo ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para analisar provas contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O pedido ocorre na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS.
A PF atribui a demora à falta de funcionários. Apenas 11 servidores atuam no caso, mas seriam necessários mais de 40. Até agora, a corporação concluiu 40% da análise de 1,7 mil itens apreendidos, como celulares, computadores e HDs.
Mendonça havia dado 60 dias para a PF concluir as perícias. O ministro considerou a investigação lenta e cobrou mais rapidez. Em resposta, a PF disse que termina a análise dos materiais dos presos em 30 dias. Já os equipamentos dos demais investigados devem levar até seis meses.
Entre as diligências pendentes está a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha, autorizada pelo ministro em fevereiro.
Além da cobrança por agilidade, Mendonça determinou que a PF mantenha a mesma equipe na investigação. O ministro avalia que as trocas de servidores atrasaram o caso.
Apesar disso, a corporação informou que o delegado responsável precisou deixar a operação para voltar à sua região de origem. Antes disso, a PF já havia transferido o inquérito da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores.
A mudança surpreendeu o chefe da divisão antiga, delegado Guilherme Figueiredo Silva. A PF justificou que a nova coordenação tem estrutura melhor para casos no STF.
A oposição, porém, levantou suspeitas de proteção a Lulinha. Uma linha de investigação apura se ele seria sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema de fraudes.
Outro ponto sem definição é a colaboração premiada do empresário Maurício Camisotti. As negociações começaram em maio entre a defesa, a PF e a Procuradoria-Geral da República. A PGR, porém, mandou recomeçar as tratativas do zero, pois não participou da primeira proposta.
A PF também identificou transferências da Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos, alvo da operação, para empresas ligadas a Camisotti.







