CONEXÃO SUSPEITA

PF identifica viagens de luxo pagas por Vorcaro a senador

Andre Reis
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PF Senador
PF vê que Ciro recebeu hospedagens em hotéis de luxo, jantares e roupas para férias na neve custeados por Vorcaro, além de repasses mensais de até R$ 500 mil.

BRASÍLIA, 09 de maio de 2026  A Polícia Federal (PF) identificou ao menos três viagens internacionais do senador Ciro Nogueira (PP-PI) custeadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Os gastos incluíram hospedagens em hotéis de luxo, jantares e compras de roupas para férias na neve.

A investigação aponta que o congressista também recebia repasses mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil ligados ao empresário. As informações foram divulgadas pela TV Globo na sexta (8) a partir de documentos da operação Compliance Zero.

Os investigadores analisaram celulares apreendidos na primeira fase da operação, realizada em novembro de 2025. A partir desse material, a PF reuniu comprovantes bancários, registros de viagens e trocas de mensagens. Segundo a investigação, esses documentos indicam relação financeira entre Vorcaro e o senador.

A polícia sustenta que a CNFL, empresa administrada por Raimundo Neto Nogueira (irmão de Ciro), era usada para operacionalizar os repasses. As filhas do senador, Maria Eduarda Nogueira (Duda Nogueira) e Eliane Nogueira, além da ex-mulher do congressista, também aparecem como sócias da companhia.

Empresas ligadas ao banqueiro fizeram depósitos na CNFL. A PF aponta a empresa como estrutura criada para ocultar pagamentos destinados ao congressista.

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A investigação identificou 265 depósitos em espécie feitos por Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, funcionário ligado a Ciro Nogueira. Essas movimentações somaram R$ 3,5 milhões em menos de quatro anos, segundo a PF. Parte da origem do dinheiro ainda é apurada.

Em abril de 2024, Ciro esteve em Paris. No mês seguinte, segundo a investigação, viajou com Vorcaro para Nova York. Lá, teria ficado hospedado em hotel de alto padrão e participado de jantares pagos pelo banqueiro.

Já em janeiro de 2025, os dois teriam ido juntos a Courchevel, estação de esqui nos Alpes Franceses frequentada pela elite europeia. Segundo a PF, Vorcaro arcou inclusive com roupas de frio usadas pelo senador.

Os investigadores afirmam que os benefícios recebidos tinham relação com a atuação política de Ciro Nogueira. A suspeita é de que o senador tenha usado o mandato no Congresso para defender interesses do banqueiro.

As filhas do senador mantinham perfis públicos nas redes sociais, que foram fechados ou restringidos após a operação da PF.

DELAÇÃO PREMIADA SOB PRESSÃO

O inquérito elevou a pressão sobre a proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro na terça (5). Investigadores citados pela Globo afirmam que o banqueiro omitiu na proposta qualquer referência aos pagamentos mensais e às viagens atribuídas pela PF ao senador. Quando questionado, Vorcaro teria alegado manter apenas amizade com Ciro.

A PF avalia, preliminarmente, que a colaboração não trouxe elementos novos relevantes para a investigação. Por isso, pediu que Vorcaro deixe a Superintendência da corporação e retorne à Penitenciária Federal de Brasília.

Na quinta (7), o ministro André Mendonça mandou suspender as atividades da CNFL. Raimundo Nogueira foi alvo de buscas e passou a usar tornozeleira eletrônica.

DEFESAS NEGAM IRREGULARIDADES

A defesa de Ciro Nogueira negou que Vorcaro tenha financiado viagens do senador ou de familiares. Os advogados confirmaram encontro dos dois em Nova York, mas disseram que a passagem foi paga pelo próprio congressista.

Sobre o apartamento de alto padrão citado pela PF, a defesa afirmou que Vorcaro emprestou o imóvel “como amigo” para a namorada de Ciro morar temporariamente em São Paulo, onde ela ficou por três meses.

Os advogados também declararam que os depósitos em espécie feitos por Bernardo Filho correspondem a vendas de uma loja de motos ligada ao senador. Eles disseram haver documentos que comprovariam as operações. Raimundo Nogueira negou irregularidades.

Em nota publicada no Instagram, Ciro Nogueira declarou ser alvo de perseguição política. O senador afirmou que já enfrentou situação semelhante em 2018 e escreveu que sua inocência foi comprovada à época.

“Quem devolve a honra de uma pessoa depois de um ataque tão maligno e sem fundamentos como esse?”, afirmou o senador, que assinou a nota como “um cidadão completamente indignado”.

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