
BRASIL, 13 de agosto de 2026 — O sistema do partido Missão registrou a filiação do senador Flávio Bolsonaro de forma automática. Isso travou a candidatura dele à Presidência. O problema aconteceu a dois dias do prazo final. O cadastro foi feito por um terceiro em 2 de agosto. A ficha foi enviada ao TSE em 12 de agosto. O tribunal efetivou o registro de maneira mecânica.
O formulário do Missão não tem filtros de segurança. A reportagem testou o site e conseguiu inscrever qualquer eleitor sem verificação de identidade. Outros partidos têm travas.
No site do PT, por exemplo, o sistema bloqueia o cadastro de lideranças políticas. A mensagem diz que a filiação deve ser solicitada à Secretaria Estadual de Organização.
O relatório interno do Missão revela dados preocupantes. O cadastro usado o CPF “123.456.789-09”. O endereço informado foi “Rua dos Bandidos, nº 666, Bairro Miliciano”. O sistema não barrou as informações falsas. A plataforma ainda converteu a ficha para o plano gratuito. Então, enviou os dados ao TSE por rotina automática do software.
Os dirigentes do Missão deram versões diferentes. Rafael Rizzo disse que alguém usou o e-mail do senador para confirmar a filiação. Renan Santos afirmou ter provas desse acesso. Porém, o e-mail automático do partido não tem botão de confirmação. A mensagem diz apenas que a equipe revisará o cadastro. Não há nenhum link para clicar.
O gabinete de Flávio Bolsonaro nega qualquer pedido de inscrição. Os advogados classificam o caso como sabotagem. Eles acionaram o TSE e a Polícia Federal. O objetivo é anular a transferência e reverter o desligamento do PL. A reversão foi confirmada nesta quinta-feira, 13.
O TSE afirmou que o cadastro é de responsabilidade dos partidos. O tribunal diz não ter capacidade de alterar os dados enviados. A investigação agora deve rastrear o IP do cadastro. A perícia digital vai focar em quem inseriu as informações falsas em 2 de agosto.
A filiação automática ocorreu porque o sistema do Missão não checa a identidade dos usuários.







