SIGILO VIOLADO

Oposição pede impeachment de Moraes após operação da PF

Andre Reis
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Pedido de impeachment questiona decisão de Moraes que autorizou busca contra suspeitos de repassar informações a jornalista que publicou reportagens sobre Dino.

BRASÍLIA, 14 de agosto de 2026  O deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara, apresentou nesta quarta (12) um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A iniciativa ocorreu após Moraes autorizar uma operação da Polícia Federal contra Raimundo Soares Cutrim e Diogo Diniz Lima. Os dois são investigados por supostamente fornecer informações ao jornalista Luís Pablo Conceição Almeida.

Segundo o deputado, a decisão pode ter violado o artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal. O dispositivo garante o acesso à informação e o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional.

As investigações envolvem reportagens sobre o suposto uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Flávio Dino, também ministro do STF. Moraes autorizou a apreensão de celulares, armas, tablets e outros dispositivos.

A decisão permitiu ainda que a Polícia Federal acessasse conteúdos dos aparelhos e dados armazenados em serviços de nuvem. Segundo a investigação, Cutrim teria consultado sistemas restritos e enviado parte das informações ao jornalista por WhatsApp.

A PF também apura se os dados foram usados em reportagens sobre veículos oficiais e placas reservadas ligados ao Tribunal de Justiça do Maranhão e ao governo estadual.

Diogo Diniz Lima é suspeito de participar da articulação. A investigação ainda analisa uma transferência de R$ 100 mil destinada a Luís Pablo, mas depositada na conta de outra pessoa.

Luís Pablo já havia sido alvo de uma busca e apreensão em março, autorizada por Moraes. Ele é investigado por perseguição após publicar reportagens sobre Flávio Dino.

A Abert, a ANJ e a Aner criticaram a nova operação. Em nota conjunta, as entidades afirmaram que a medida cria um precedente perigoso e defenderam a proteção constitucional ao sigilo da fonte.

O pedido de Cabo Gilberto foi apresentado como denúncia por crime de responsabilidade. O documento sustenta que a decisão de Moraes teria violado a garantia constitucional do sigilo jornalístico.

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