
BRASIL, 28 de outubro de 2026 — O número de brasileiros em situação de endividamento de risco chegou a 20,3 milhões em junho de 2026, um crescimento de 75% em cinco anos. Os dados foram divulgados nesta terça (27) pelo Banco Central (BC). Esse grupo representa 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional.
Diante do aumento, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, anunciou medidas para conter ofertas agressivas de crédito ainda em 2026. A preocupação envolve principalmente cartões de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais sem desconto em folha. Essas modalidades continuam crescendo, mesmo com os juros elevados.
Entre os brasileiros que recebem até dois salários mínimos, 42% da renda estava comprometida com dívidas em junho. Desse total, 15% dos rendimentos eram destinados ao pagamento do cartão de crédito. Já entre pessoas com renda superior a dez salários mínimos, o comprometimento chegava a 18,6%.
O Banco Central considera endividado de risco quem apresenta pelo menos duas condições: atraso superior a 90 dias, dívidas acima de 50% da renda, uso simultâneo de créditos arriscados ou renda restante abaixo da linha de pobreza após pagar as parcelas.
A partir de 31 de março de 2027, os bancos deverão permitir o bloqueio de ofertas ativas de crédito. Para consumidores vulneráveis, novas ofertas dependerão de autorização prévia.
Além disso, as instituições deverão priorizar alternativas como renegociação e portabilidade de dívidas.










