CÚPULA CORRUPTA

Mulher de ministro de Lula vira ré por desvios na Educação

Andre Reis
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MPF apresentou duas denúncias contra mulher do ministro Wellington Dias. Irregularidades em contratos de transporte escolar somam mais de R$ 50 milhões.

PIAUÍ, 06 de julho de 2026  O Ministério Público Federal (MPF) apresentou duas denúncias à Justiça Federal no Piauí contra Rejane Ribeiro Sousa Dias. Ela é conselheira do Tribunal de Contas do Estado e ex-secretária de Educação. Também é mulher do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.

As ações tratam de improbidade administrativa. Os supostos desvios ocorreram em contratos de transporte escolar entre 2015 e 2018. Na época, Wellington governava o Piauí. As irregularidades podem ter causado prejuízo superior a R$ 50 milhões.

Segundo o MPF, empresas de transporte escolar pagavam propina para receber os repasses do governo. O esquema funcionava de três formas. Primeiro, cobrava-se propina de até 50% sobre os contratos. Além disso, inseriam informações falsas nos sistemas de desembolso do Estado. Por fim, desviavam verbas federais para dificultar o controle dos gastos.

A denúncia afirma que Rejane tinha papel central no esquema. Ela liderava o “núcleo de agentes públicos”. Segundo os procuradores, ela tinha pleno conhecimento das fraudes. Além disso, homologou processos licitatórios viciados. Sem a atuação dela, a organização criminosa não teria conseguido direcionar os contratos superfaturados.

A segunda ação aponta desvio de recursos federais do transporte escolar. Os contratos foram firmados por dispensa de licitação e pregões. A Secretaria de Educação ignorou a compra de frota própria. Além disso, manteve estimativas de rotas e estudantes incompatíveis com a realidade.

As empresas contratadas atuavam apenas como intermediárias. Elas terceirizavam o serviço para motoristas particulares. Esses profissionais recebiam até 44,38% menos do que o Estado pagava. Assim, as empresas retinham parte significativa dos recursos públicos.

Inspeções também encontraram veículos inadequados. Carros de passeio e caminhonetes adaptadas, do tipo “pau de arara”, substituíam ônibus e vans. Alguns veículos tinham pneus desgastados e faltavam equipamentos de segurança.

Motoristas não tinham a habilitação exigida. Outra irregularidade foi o pagamento por quilometragem maior do que a percorrida. As investigações vieram a público em dezembro de 2023.

A defesa de Rejane ainda não se manifestou.

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