MÁFIA DA SAÚDE

Ministério Público investiga UBS fechada em Nova Iorque do MA

Andre Reis
Compartilhe
Nova Iorque
UBS de Nova Iorque está abandonada há seis anos, mas continua ativa no cadastro federal. Licitação pode ter usado dados falsos para aumentar compras.

NOVA IORQUE, 10 de agosto de 2026  O Ministério Público do Maranhão abriu uma investigação sobre a Unidade Básica de Saúde (UBS) do povoado Lagoa dos Cocos, em Nova Iorque.

A portaria nº 45/2026, assinada pelo promotor Hélder Ferreira Bezerra, oficializou o inquérito civil no dia 10 de agosto de 2026. A apuração começou depois que a vereadora Katy Mila Morais Lima denunciou a situação.

A unidade está fechada e abandonada há cerca de seis anos. Ela funcionou apenas no dia da inauguração. Mesmo assim, o posto continuava cadastrado como ativo no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Uma vistoria do MP confirmou que o prédio não atende ninguém. A comunidade recebe atendimento esporádico em um lugar particular, o “Bar da Laura”.

Além disso, o sistema federal mostrava profissionais de saúde vinculados à UBS. Uma enfermeira, por exemplo, constava como lotada na unidade. Porém, ela trabalha na sede da prefeitura como coordenadora da Vigilância Epidemiológica.

A própria Secretaria Municipal de Saúde admitiu, em ofício, que a UBS não funcionava. Disse também que não havia controle de estoque nem abastecimento regular de materiais.

Outro ponto chama a atenção do MP. A investigação suspeita que a estrutura da UBS desativada tenha sido usada para aumentar os quantitativos do Pregão Eletrônico nº 03/2024.

O estudo técnico da licitação diz que os cálculos definiram os produtos comprados. Mas o MP acredita que os dados da unidade e da população atendida podem ter inflado os números artificialmente. Isso poderia gerar prejuízo aos cofres públicos.

A Promotoria pediu à Tesouraria Municipal as memórias de cálculo usadas no estudo. A prefeitura teve prazo extra, mas não enviou os documentos. Por isso, o MP vê indícios de improbidade administrativa. Pode ter havido dano ao erário e violação de princípios públicos.

Diante disso, o Ministério Público fez uma nova requisição. A Tesouraria tem dez dias para entregar a íntegra dos cálculos do pregão. Se não cumprir, poderá responder por desobediência e por ato de improbidade por atrapalhar a fiscalização.

Compartilhe
0 0 votos
Classificação da notícias
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Gostaríamos de usar cookies para melhorar sua experiência.

Visite nossa página de consentimento de cookies para gerenciar suas preferências.

Conheça nossa política de privacidade.

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x