CHACINA NACIONAL

Metade dos homicídios no Brasil ocorreram em 99 municípios

Andre Reis
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homicídios brasil
Metade dos homicídios do país ocorreu em apenas 1,8% dos municípios brasileiros, revela estudo do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

BRASIL, 26 de maio de 2026  Um grupo de 99 municípios concentrou metade dos homicídios registrados no Brasil em 2024. Esse número representa apenas 1,8% dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros. Essas cidades, no entanto, abrigam 43,4% da população nacional.

Os dados constam no Atlas da Violência, publicado nesta terça (26). O estudo foi produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O Brasil registrou 42,5 mil homicídios em 2024. A taxa nacional foi de 20,1 casos por 100 mil habitantes. Os especialistas do Atlas também calcularam mortes violentas sem causa determinada.

Esse ajuste serviu para estimar assassinatos não registrados oficialmente. Com isso, o número total subiu para 49,6 mil. A taxa nacional passou então para 23,4 por 100 mil habitantes.

A violência ficou mais concentrada em poucos municípios em 2024. Edições anteriores do Atlas revelaram uma queda nesse número. Em 2022, 165 cidades registraram metade dos homicídios do ano anterior. Esse número foi de 162 em 2023. Por isso, a redução para 99 municípios em 2024 representa um aumento da concentração.

As regiões Nordeste e Norte registraram os maiores índices de violência. O Amapá liderou a taxa de homicídios entre os estados. Foram 47,1 casos por 100 mil habitantes. Em seguida, aparecem Ceará (43,7) e Bahia (42,6). Os estados do Sul e do Sudeste apresentaram as menores taxas. O Distrito Federal também ficou entre os de menor violência.

CIDADES EM DESTAQUE

Cidades médias registraram taxa média de homicídios superior à das grandes metrópoles. Segundo o estudo, municípios de 100 mil a 500 mil habitantes revelam um padrão importante. A violência mais intensa não se concentra necessariamente nas maiores metrópoles. Ela aparece frequentemente nos municípios de porte intermediário.

Maranguape (CE) registrou a maior taxa de homicídios entre as cidades com mais de 100 mil habitantes. O município fica na Região Metropolitana de Fortaleza. O Comando Vermelho (CV) e a facção local Guardiões do Estado dividem o domínio dos bairros da cidade.

Dos dez municípios mais violentos desse porte, quatro estão no Ceará. Os outros seis estão na Bahia. Jequié (BA) ocupa a segunda posição da lista. Salvador (BA) registrou o maior índice entre as capitais brasileiras. A cidade teve 52,7 casos estimados para cada 100 mil habitantes.

O perfil das vítimas de homicídio manteve o predomínio de jovens, homens e negros em 2024. A faixa etária de 15 a 29 anos concentrou 46,5% das vítimas do país. O Brasil registrou uma média diária de 54 jovens mortos de forma violenta no ano passado. Desse total, 51 eram homens.

DIVERGÊNCIA ESTATÍSTICA

A estimativa do Atlas gerou divergência com as estatísticas oficiais do governo. O Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) registrou 42,5 mil homicídios. O Ministério da Justiça computou 43,3 mil mortes violentas intencionais.

A diferença dos números do Atlas para as estatísticas oficiais supera 14%. Essa diferença ocorre porque o estudo reclassifica os registros de mortes violentas por causa indeterminada.

O Ipea baseou-se em características de milhões de registros desde 1996. Esse método permitiu identificar os chamados “homicídios ocultos”. O Atlas indica estabilidade nos índices nacionais. A queda nos assassinatos foi de apenas 0,3%. Esse número diverge da redução de 7,4% do SIM.

Também difere da queda de 5% apresentada pelo Ministério da Justiça.

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