PREJUÍZO INVISÍVEL

Mercado ilegal tira R$ 39 bilhões da indústria brasileira

Andre Reis
Compartilhe
Indústria CNI
Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que um terço das empresas sofreu impactos por atos ilícitos em 2024 e 2025. Roubo de carga é o crime mais citado

BRASIL, 02 de junho de 2026  A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que o mercado ilegal provocou perdas de R$ 39 bilhões na receita líquida de vendas do setor. O levantamento, chamado Sondagem Especial Brasil Legal, ouviu 1.398 empresas entre 3 e 12 de novembro de 2025.

Esse impacto ocorreu nos últimos dois anos. A pesquisa mostra que um terço das empresas industriais sofreu com atos ilícitos no período.

Entre as empresas afetadas, 50% apontaram redução da receita bruta como principal efeito negativo. Além disso, 30% citaram perda de participação de mercado. Outros 28% relataram aumento dos custos com segurança.

Cerca de 31% das empresas afirmaram que suas atividades foram prejudicadas por ilegalidades. Esse percentual sobe para 32% entre médias empresas e para 33% entre grandes. Porém, entre pequenas, o índice é de 25%.

Apesar do percentual menor, o impacto proporcional sobre a receita é maior nas pequenas empresas. O superintendente de política industrial da CNI, Fabrício Silveira, explicou que as perdas representam 0,6% da receita líquida anual das pequenas. Nas médias, esse valor sobe para 0,8%. Nas grandes, cai para 0,4%.

Silveira afirmou que pequenos negócios têm estruturas financeiras mais enxutas. Eles também possuem menor capacidade de diluição de custos fixos. Por isso, tendem a ser mais afetados pela concorrência desleal.

ROUBO DE CARGA LIDERA ILÍCITOS

O roubo de carga lidera a lista de crimes que afetam a indústria. De acordo com a pesquisa, 32% das empresas sofreram impacto direto desse tipo de crime. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro estimou prejuízo de R$ 314 milhões em 2025 apenas em áreas fluminenses. A média foi de oito caminhões vítimas de ataques por dia.

A não conformidade de produtos com regulamentações técnicas foi o segundo ilícito mais citado, com 29%. Essa prática envolve a venda de produtos que não atendem às normas técnicas ou de segurança exigidas por lei.

Entre médias empresas, o índice alcança 33%. Entre pequenas, chega a 26%. Silveira afirmou que essas práticas podem trazer riscos ao consumidor. Elas também configuram concorrência desleal.

CUSTOS COM PREVENÇÃO SUPERAM PERDAS

O estudo mostrou que os gastos da indústria com segurança patrimonial, cibernética e outras medidas representam 1,1% da receita líquida de vendas. O impacto total desses investimentos chega a R$ 68,5 bilhões.

Esse valor supera as perdas diretas causadas pelos ilícitos, estimadas em R$ 39,1 bilhões. No entanto, Silveira avaliou que os investimentos em segurança digital ainda são limitados. A sondagem mostrou que 77,1% das empresas destinam apenas 1% ou menos do orçamento para cibersegurança.

Para 77% das empresas, o aumento da fiscalização e do controle é a principal medida contra as ilegalidades. Outros 46% defendem investimentos em ações de inteligência. Além disso, 36% apoiam o endurecimento da legislação.

Por fim, 41% dos entrevistados consideram que os órgãos de segurança pública estaduais, como as polícias Civil e Militar, precisam de maior fortalecimento.

Compartilhe
0 0 votos
Classificação da notícias
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Gostaríamos de usar cookies para melhorar sua experiência.

Visite nossa página de consentimento de cookies para gerenciar suas preferências.

Conheça nossa política de privacidade.

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x