
BRASIL, 02 de junho de 2026 — A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que o mercado ilegal provocou perdas de R$ 39 bilhões na receita líquida de vendas do setor. O levantamento, chamado Sondagem Especial Brasil Legal, ouviu 1.398 empresas entre 3 e 12 de novembro de 2025.
Esse impacto ocorreu nos últimos dois anos. A pesquisa mostra que um terço das empresas industriais sofreu com atos ilícitos no período.
Entre as empresas afetadas, 50% apontaram redução da receita bruta como principal efeito negativo. Além disso, 30% citaram perda de participação de mercado. Outros 28% relataram aumento dos custos com segurança.
Cerca de 31% das empresas afirmaram que suas atividades foram prejudicadas por ilegalidades. Esse percentual sobe para 32% entre médias empresas e para 33% entre grandes. Porém, entre pequenas, o índice é de 25%.
Apesar do percentual menor, o impacto proporcional sobre a receita é maior nas pequenas empresas. O superintendente de política industrial da CNI, Fabrício Silveira, explicou que as perdas representam 0,6% da receita líquida anual das pequenas. Nas médias, esse valor sobe para 0,8%. Nas grandes, cai para 0,4%.
Silveira afirmou que pequenos negócios têm estruturas financeiras mais enxutas. Eles também possuem menor capacidade de diluição de custos fixos. Por isso, tendem a ser mais afetados pela concorrência desleal.
ROUBO DE CARGA LIDERA ILÍCITOS
O roubo de carga lidera a lista de crimes que afetam a indústria. De acordo com a pesquisa, 32% das empresas sofreram impacto direto desse tipo de crime. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro estimou prejuízo de R$ 314 milhões em 2025 apenas em áreas fluminenses. A média foi de oito caminhões vítimas de ataques por dia.
A não conformidade de produtos com regulamentações técnicas foi o segundo ilícito mais citado, com 29%. Essa prática envolve a venda de produtos que não atendem às normas técnicas ou de segurança exigidas por lei.
Entre médias empresas, o índice alcança 33%. Entre pequenas, chega a 26%. Silveira afirmou que essas práticas podem trazer riscos ao consumidor. Elas também configuram concorrência desleal.
CUSTOS COM PREVENÇÃO SUPERAM PERDAS
O estudo mostrou que os gastos da indústria com segurança patrimonial, cibernética e outras medidas representam 1,1% da receita líquida de vendas. O impacto total desses investimentos chega a R$ 68,5 bilhões.
Esse valor supera as perdas diretas causadas pelos ilícitos, estimadas em R$ 39,1 bilhões. No entanto, Silveira avaliou que os investimentos em segurança digital ainda são limitados. A sondagem mostrou que 77,1% das empresas destinam apenas 1% ou menos do orçamento para cibersegurança.
Para 77% das empresas, o aumento da fiscalização e do controle é a principal medida contra as ilegalidades. Outros 46% defendem investimentos em ações de inteligência. Além disso, 36% apoiam o endurecimento da legislação.
Por fim, 41% dos entrevistados consideram que os órgãos de segurança pública estaduais, como as polícias Civil e Militar, precisam de maior fortalecimento.







