RECORDE

Lucro de bancos bate recorde de R$ 255 bilhões em 2025

Andre Reis
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lucro bancos
Resultado veio com selic a 15% ao ano, maior nível em quase 20 anos. Bancos faturaram com juros altos, mas setor fechou 31 mil postos desde 2020.

BRASIL, 22 de junho de 2026 — Os bancos brasileiros tiveram lucro recorde de R$ 255 bilhões em 2025. O dado é do Banco Central. Esse resultado aconteceu em um ano com a Selic a 15% ao ano. Esse é o maior patamar da taxa em quase duas décadas. O BC aumentou os juros para tentar conter a inflação. A taxa começou a cair somente em 2026.

Os bancos usam a Selic como base para cobrar juros nos empréstimos. Nas linhas de crédito livre, as taxas são ainda maiores que a Selic. No cartão de crédito rotativo, os juros passam de 400% ao ano. No cheque especial, ultrapassam 100% ao ano. Os quatro maiores bancos já concentravam quase 60% do mercado de crédito em 2024.

O Banco Central, porém, disse que o crescimento do lucro em 2025 foi “mais moderado”. A “rentabilidade permaneceu relativamente estável”, segundo a autarquia.

O BC explicou que as despesas com provisões aumentaram. Isso compensou parte do ganho com juros. Além disso, o crescimento do crédito desacelerou. Por isso, o lucro subiu no mesmo ritmo da expansão total do sistema financeiro.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) chegou a 16,76% em 2025. Esse é o maior índice desde 2021. Um levantamento do Canadá mostrou que a rentabilidade dos bancos brasileiros é superior à de países desenvolvidos. Mas o próprio estudo alertou que diferenças regulatórias e de mercado exigem cuidado na comparação.

O diretor da Febraban, Rubens Sardenberg, disse ao g1 que a rentabilidade do setor está alinhada à de outros países emergentes. Ele citou como exemplo México, Peru e África do Sul. Sardenberg afirmou que o ROE médio dos bancos brasileiros é de 16,5% no período de 2020 a 2024.

O Sindicato dos Bancários de São Paulo informou que 31,3 mil postos de trabalho foram fechados entre 2020 e abril de 2026. Desse total, cerca de 25 mil eram ocupados por mulheres.

A entidade atribuiu a redução ao avanço tecnológico e à busca por cortar custos. O número de agências caiu 37% em dez anos. Restaram pouco mais de 14 mil unidades em atividade.

Sardenberg, porém, classificou como “equívoco” dizer que os bancos se beneficiam da Selic alta. Segundo ele, juros elevados aumentam o custo de captação dos bancos. Inclusive, pressionam a inadimplência.

Com isso, as instituições ficam mais conservadoras na hora de emprestar dinheiro. Isso limita o crescimento do crédito e, consequentemente, o crescimento da economia como um todo.

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