
SÃO LUÍS, 20 de abril de 2026 — A Justiça manteve a prisão preventiva do pastor David Gonçalves Silva, investigado por abusos, após audiência de custódia realizada no sábado (18), em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. A Polícia Civil apura denúncias de violência física, psicológica e crimes sexuais cometidos contra fiéis dentro de uma igreja.
O pastor investigado por abusos foi preso na sexta (17), durante a operação “Falso Profeta”, conduzida pela Polícia Civil do Maranhão. Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, ele será encaminhado a uma unidade prisional e permanecerá à disposição da Justiça durante o andamento do caso.
A Polícia Civil informou que o caso do pastor investigado por abusos está sob responsabilidade da Delegacia Especial de Paço do Lumiar. A investigação segue na fase de coleta de depoimentos de vítimas e testemunhas, enquanto a corporação evita divulgar detalhes para não comprometer o processo.
DENÚNCIAS E CRIMES APURADOS
O pastor investigado por abusos é suspeito de utilizar a igreja Shekinah House Church para aplicar punições físicas e psicológicas contra fiéis. Ele responde a investigações por estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa.
De acordo com o delegado Sidney Oliveira, responsável pelo caso, a apuração teve duração aproximada de dois anos e começou após denúncias feitas por ex-fiéis. Até o momento, as autoridades identificaram entre cinco e seis vítimas relacionadas ao pastor investigado por abusos.
A partir do depoimento de uma vítima, a polícia localizou outras pessoas que também relataram situações semelhantes. Além disso, testemunhas foram ouvidas em outros estados, como Pará e Ceará, ampliando o alcance das investigações.
Segundo depoimentos, a igreja mantinha um sistema organizado de punições físicas e psicológicas. Uma das vítimas afirmou que chegou ao local aos 13 anos, em situação de vulnerabilidade, buscando ajuda, mas relatou ter sido submetida a abusos durante anos.
Outro relato indica que punições eram usadas como forma de controle. De acordo com a vítima, fiéis eram isolados, privados de alimentação e agredidos fisicamente quando não seguiam as determinações impostas pelo líder religioso.
Os depoimentos apontam que o pastor investigado por abusos utilizava essas práticas para impor obediência e manter domínio sobre os frequentadores da igreja, muitos deles em condições de vulnerabilidade social.
Segundo a polícia, o sistema permitia ao pastor manter controle sobre um grupo estimado entre 100 e 150 fiéis por vários anos. Entre as punições descritas está o uso de chicotadas, chamadas de “readas”, aplicadas com instrumento utilizado em animais.
Mensagens atribuídas ao investigado indicam que ele determinava diretamente os castigos, incluindo a quantidade de golpes. Em um dos episódios relatados, quatro vítimas afirmaram ter recebido entre 15 e 25 chicotadas cada.
Inclusive, áudios obtidos pela investigação apontam a privação de comida como forma de punição. Os registros também indicam que os fiéis eram chamados de “piões” e que o local onde dormiam era denominado “baia”.
A polícia aponta que as agressões físicas e psicológicas também eram utilizadas como forma de pressão para a prática de abusos sexuais. O inquérito segue em andamento, com coleta contínua de provas e depoimentos para esclarecer os fatos.
A defesa do pastor investigado por abusos informou, em nota, que não irá se manifestar neste momento, pois ainda não teve acesso aos autos da investigação. O caso permanece sob análise da Justiça.







