
BALSAS, 30 de abril de 2026 — O juiz do Tribunal de Justiça do Maranhão, Tonny Carvalho Araújo Luz, acumula acusações e investigações relacionadas à sua atuação na 2ª Vara de Balsas. O magistrado está afastado das funções por decisão do Superior Tribunal de Justiça.
Os casos envolvem apurações da Polícia Federal, sindicância administrativa e denúncia em tramitação no Ministério Público.
No início deste mês, em 1º de abril, a Polícia Federal deflagrou a Operação Inauditus para investigar suposta venda de decisões judiciais vinculadas à negociação de terras em Alto Parnaíba. Durante busca na residência do juiz, agentes encontraram R$ 284.700 em dinheiro em espécie.
Por determinação do ministro Francisco Falcão, do STJ, o magistrado passou a utilizar tornozeleira eletrônica pelo período de 180 dias. A medida integra o conjunto de ações adotadas no âmbito da investigação federal. O caso segue em apuração para esclarecer a possível relação entre decisões judiciais e interesses patrimoniais.
Outro ponto envolve sindicância instaurada pela Corregedoria-Geral da Justiça do Maranhão em junho de 2025. O procedimento apura o uso inadequado de ferramentas de inteligência artificial pelo juiz. A investigação foi determinada após aumento expressivo na produtividade mensal de decisões.
Segundo dados apresentados, o magistrado passou de uma média de 80 sentenças por mês para 969 em agosto, o que representa crescimento superior a 1.100%. A análise apontou problemas como ausência de fundamentação, falhas na avaliação de provas e distribuição indevida de processos.
O caso que repercute mais recente se trata de suposta solicitação de favores sexuais em troca de decisão judicial. O inquérito tramita na 1ª Promotoria de Justiça de Balsas. O caso envolve denúncia apresentada por uma mulher que buscava medida protetiva contra o ex-marido.
De acordo com o relato, a denunciante procurou o fórum após sofrer ameaças e perseguições. Posteriormente, manteve contato com o juiz por aplicativo de mensagens. Durante a conversa, ela afirma ter recebido propostas de cunho pessoal ao solicitar orientação sobre o processo.
“Se tu for advogada que chega na sala do juiz e fecha a porta e paga aquele boquete, tu vai ganhar as causas tudinho. Tem vida mais barata, mas não presta não rapaz, chega no papai, cola que é sucesso. Tô ligado, tu pode pedir protetiva contra ele [ex-marido] que ai a gente dá um susto nele, ta bom?! bjs”, diz a mensagem.
Para registrar o conteúdo, a mulher formalizou uma ata notarial em cartório, com a transcrição das mensagens. A denúncia foi encaminhada ao Tribunal de Justiça do Maranhão. No entanto, o processo foi arquivado, com aplicação de pena leve de censura ao magistrado.







