
BRASIL, 09 de junho de 2026 — A inadimplência de empresas brasileiras bateu recorde em abril de 2026. O país chegou a 9 milhões de CNPJs negativados. Esse é o pior número da série histórica da Serasa Experian, iniciada em janeiro de 2016. Em comparação com abril de 2025, houve alta de 1,5 milhão de novos negócios na lista de calotes.
O valor total das contas atrasadas também é recorde: R$ 220,9 bilhões. Cada empresa devedora tem, em média, 7,1 boletos sem pagamento. O valor médio da dívida por CNPJ é de R$ 24.665,91.
A economista-chefe da Serasa, Camila Abdelmalack, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que a perda de faturamento e os juros elevados devem gerar novos recordes em 2026.
A taxa básica de juros está em 14,5% ao ano. O Banco Central já fez duas reduções seguidas de 0,25 ponto, mas o custo do dinheiro ainda é alto. Isso encarece empréstimos para capital de giro e trava investimentos.
Um estudo da consultoria RK Partners com 282 empresas da Bolsa revelou que 24% delas não geram caixa suficiente nem para pagar os juros das dívidas.
Os pequenos negócios lideram as estatísticas. Pequenas e microempresas somam 8,5 milhões dos CNPJs negativados. Elas concentram R$ 191,8 bilhões do total das dívidas. O setor de serviços lidera o ranking geral com 55,6% das empresas devedoras. Em seguida vêm comércio (32,4%), indústria (8,1%) e setor primário (0,9%).
A região Sudeste tem o maior volume de inadimplentes por causa da densidade econômica. São Paulo lidera com 3.076.064 CNPJs negativados. Minas Gerais vem em segundo (881.652), seguido pelo Rio de Janeiro (864.722). Na Região Sul, o Paraná tem 588.935 casos e o Rio Grande do Sul soma 518.195.
As dívidas com prestadores de serviços são a principal origem dos calotes (31,7%). Depois vêm atrasos em bancos e cartões de crédito (19,4%). Cooperativas somam 8,6%, contas de água e luz respondem por 7% e telefonia encerra com 5,7% das queixas.







