
BRASÍLIA, 19 de maio de 2026 — A Polícia Federal identificou uma tentativa de invasão ao celular do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. A investigação faz parte da sexta fase da Operação Compliance Zero. A operação foi deflagrada na quinta (14).
Segundo a apuração, o pedido de invasão partiu do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens obtidas pela PF foram reveladas no domingo (17), pelo programa Fantástico, da TV Globo. As conversas mostram Vorcaro solicitando a invasão ao operador Luiz Phillipi Mourão.
Mourão era conhecido como “Sicário”. Vorcaro afirmou que precisava invadir o celular do jornalista. Mourão respondeu que enviaria “os meninos” para executar o serviço. Em outro trecho, Mourão disse que chegou a mandar uma mensagem para o telefone do colunista.
GRUPO DE HACKERS RECEBIA R$ 75 MIL POR MÊS
A investigação mostra que o grupo apelidado de “Os Meninos” atuava em ataques cibernéticos. Além disso, realizava invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal. A PF prendeu Victor Lima Sedlmaier no último sábado (16), no Aeroporto de Guarulhos.
Ele foi deportado pelas autoridades de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Victor estava foragido desde a quinta, quando o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decretou sua prisão preventiva. De acordo com a PF, os hackers recebiam R$ 75 mil por mês.
Victor atuava ao lado de David Henrique Alves e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos. Eles formavam o núcleo tecnológico do esquema. Mourão liderava o grupo. A PF o prendeu em uma fase anterior da operação. Ele cometeu suicídio enquanto estava preso.
AMEAÇAS E INTIMIDAÇÃO CONTRA COLUNISTA
A PF afirma que a tentativa de invasão do celular de Lauro Jardim foi um dos elementos usados para fundamentar o pedido de prisão de Vorcaro. O decreto de prisão foi feito em março. As investigações também identificaram a atuação de um grupo chamado “A Turma”. Esse grupo era ligado a Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro.
Segundo os investigadores, a estrutura era usada para intimidar desafetos.
Em uma das conversas analisadas pela PF, Vorcaro afirmou que queria “dar um pau” no jornalista. Ele também disse que queria “quebrar todos os dentes” dele.
O ex-banqueiro pediu monitoramento constante de Lauro Jardim. Mourão respondeu que havia contratado pessoas para seguir o colunista. A investigação mostra que o grupo cogitou simular um assalto para atacar o jornalista.
O dono do Banco Master está preso em Brasília. A PF o acusa de comandar um esquema de fraudes financeiras. O valor estimado das fraudes chega a R$ 12 bilhões. Segundo os investigadores, o grupo usava inteligência artificial. Também utilizava falsificação de documentos públicos.
O grupo contava ainda com a participação de policiais e bicheiros.








