
BRASÍLIA, 24 de agosto de 2026 — O governo federal vai gastar mais do que o permitido pelo arcabouço fiscal em 2026. Cerca de R$ 1,6 trilhão das despesas estão acima do limite. Esse valor representa 68% do total de R$ 2,3 trilhões que a regra controla.
Os gastos incluem previdência, salários de servidores e benefícios sociais. Essas despesas são difíceis de cortar. Além disso, o salário mínimo passou a ter reajuste acima da inflação. Por isso, as contas públicas ficam ainda mais pressionadas.
O levantamento é do jornal O Estado de S. Paulo.
Os dados vieram do Orçamento da União. O programa Pé-de-Meia teve o maior aumento: 903%. A despesa saltou de R$ 1 bilhão para R$ 10,39 bilhões. O crescimento ocorreu porque o programa não estava no Orçamento anterior. O Ministério da Educação quer ampliar o benefício para todos os estudantes do ensino médio.
Outros programas também tiveram altas expressivas. A estruturação de unidades de saúde especializada cresceu 123%, chegando a R$ 7,93 bilhões. O Programa de Garantia da Atividade Agropecuária subiu 26%, para R$ 6,62 bilhões. O Auxílio Gás aumentou 25%, totalizando R$ 4,58 bilhões.
A subvenção para investimentos rurais e agroindustriais avançou 18%, para R$ 7,19 bilhões. O Programa Nacional de Alimentação Escolar também cresceu 18%, alcançando R$ 6,85 bilhões.
Já o Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar teve alta de 12%, para R$ 9,55 bilhões. A compra e distribuição de imunobiológicos subiu 10%, chegando a R$ 10,32 bilhões.
O arcabouço fiscal permite que as despesas cresçam, no máximo, 2,5% ao ano. Quando os gastos passam desse limite, o governo perde espaço para outras despesas. O Ministério da Fazenda diz que trabalha para controlar os gastos.
Os números do Orçamento, porém, mostram que muitos programas crescem muito acima do permitido.







